
Por Dr. Francisco Leite dos Santos, médico otorrinolaringologista
Com a chegada dos períodos de baixa umidade do ar, um sintoma passa a ser observado com mais frequência em consultórios e serviços de pronto atendimento: o sangramento nasal.
Conhecido pelos médicos como epistaxe, o sangramento pelo nariz costuma causar preocupação, mas, na maioria dos casos, está relacionado ao ressecamento da mucosa nasal, especialmente durante o inverno e nos períodos de estiagem prolongada. Estima-se que cerca de 60% das pessoas apresentem pelo menos um episódio de sangramento nasal ao longo da vida. Felizmente, apenas uma pequena parcela desses casos necessita de atendimento médico especializado.
A maior parte dos sangramentos ocorre na região anterior do septo nasal, estrutura que divide as duas cavidades do nariz. Nessa área existe uma rica rede de pequenos vasos sanguíneos, conhecida como plexo de Kiesselbach, que é particularmente sensível ao ressecamento e a pequenos traumas.
A mucosa nasal desempenha um papel fundamental na proteção do organismo, já que, além de aquecer, umidificar e filtrar o ar inspirado, atua como uma importante barreira contra partículas, poluentes e microrganismos. Para exercer essas funções adequadamente, precisa permanecer hidratada. Quando a umidade do ar diminui, a mucosa perde água, torna-se mais ressecada e pode desenvolver pequenas fissuras e crostas. Nesse cenário, os vasos sanguíneos superficiais ficam mais vulneráveis a rompimentos, favorecendo o surgimento de sangramentos.
Além do clima seco, outros fatores podem contribuir para a epistaxe, entre eles estão a rinite alérgica, processos inflamatórios das vias respiratórias superiores, exposição prolongada ao ar-condicionado, uso inadequado ou excessivo de descongestionantes nasais e a manipulação do nariz com os dedos. Assoar o nariz repetidamente ou com muita força também pode aumentar a irritação local e favorecer o sangramento.
Crianças e idosos costumam ser os grupos mais afetados. Nas crianças, a manipulação nasal e a maior sensibilidade da mucosa frequentemente desempenham papel importante. Já nos idosos, a mucosa tende a se tornar mais frágil com o passar dos anos, além de ser mais comum o uso de medicamentos que podem aumentar a tendência a sangramentos.
Embora a maioria dos episódios seja leve e autolimitada, alguns sinais merecem atenção: sangramentos frequentes, prolongados, muito intensos ou de difícil controle devem ser avaliados por um médico. Em determinadas situações, pode ser necessária investigação para identificar fatores locais, alterações da coagulação, uso de medicamentos ou outras condições associadas.
A prevenção passa principalmente pela manutenção da hidratação da mucosa nasal. Medidas simples, como aumentar a ingestão de líquidos, realizar lavagens nasais com solução salina e evitar manipular o interior do nariz, ajudam a reduzir o ressecamento e proteger os vasos sanguíneos da região.
Em ambientes muito secos, a umidificação moderada pode ser útil, desde que realizada de forma adequada e sem excessos. Também é importante manter o controle de doenças nasais, como a rinite alérgica, que frequentemente contribuem para a inflamação e irritação da mucosa.
Pequenas medidas adotadas no dia a dia podem reduzir significativamente os episódios de sangramento nasal e contribuir para o conforto, a qualidade de vida e o bem-estar durante os meses mais secos do ano.
