Cansado, sem libido e ganhando peso? O problema pode não ser a idade

Cansaço constante, falta de disposição, queda da libido, ganho de peso, perda de massa muscular, dificuldade de concentração, alterações de humor e até redução da produtividade. Embora muitos homens atribuam esses sintomas apenas ao avanço da idade, especialistas alertam para um problema cada vez mais comum: a deficiência de testosterona.
Considerada o principal hormônio masculino, a testosterona exerce papel fundamental na saúde física, mental e sexual. Quando seus níveis diminuem, o organismo dá sinais que vão muito além da vida íntima, afetando a disposição, a autoestima, a composição corporal e a qualidade de vida como um todo.
Segundo estudos internacionais, entre 6% e 12% dos homens entre 40 e 69 anos apresentam deficiência de testosterona. O número, porém, aumenta significativamente entre pacientes com obesidade, diabetes e síndrome metabólica, podendo atingir até metade dos homens nesses grupos.
Para o médico urologista Dr. Rodolfo José Favaretto Filho, a rotina moderna tem contribuído diretamente para o aumento dos casos.
“Hoje vemos homens cada vez mais jovens apresentando sintomas relacionados à baixa testosterona. Muitas vezes eles acreditam que estão apenas cansados por causa do trabalho, do estresse ou da correria do dia a dia, quando na verdade existe uma alteração hormonal que merece investigação médica”, explica.
Os ladrões da testosterona
Se antigamente a queda hormonal estava mais relacionada ao envelhecimento natural, hoje diversos fatores aceleram esse processo.
Entre os principais inimigos da testosterona estão:
- Obesidade e gordura abdominal;
- Sedentarismo;
- Noites mal dormidas;
- Estresse crônico;
- Diabetes;
- Consumo excessivo de álcool;
- Tabagismo;
- Alimentação rica em ultraprocessados;
- Uso inadequado de anabolizantes;
- Falta de atividade física regular.
A obesidade merece atenção especial. O excesso de gordura corporal interfere diretamente no equilíbrio hormonal masculino, criando um ciclo perigoso: quanto menor a testosterona, maior a tendência ao ganho de peso; quanto maior o ganho de peso, menor tende a ser a produção hormonal.
Muito além da libido
Embora a queda do desejo sexual seja um dos sintomas mais conhecidos, a deficiência de testosterona afeta diversas áreas da saúde.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Falta de energia;
- Cansaço persistente;
- Diminuição da força física;
- Perda de massa muscular;
- Ganho de gordura abdominal;
- Queda da libido;
- Alterações de humor;
- Irritabilidade;
- Dificuldade de concentração;
- Redução da memória;
- Distúrbios do sono;
- Sensação constante de desânimo.
“Muitos pacientes chegam ao consultório reclamando que não conseguem mais ter o mesmo rendimento físico e mental de alguns anos atrás. Outros relatam dificuldade para emagrecer, falta de disposição ou redução do desejo sexual. Esses sinais não devem ser ignorados”, alerta o especialista.
Nem todo caso exige reposição hormonal
O Dr. Rodolfo ressalta que testosterona baixa não significa automaticamente a necessidade de tratamento hormonal.
Segundo ele, o diagnóstico deve ser baseado na combinação entre sintomas, exames laboratoriais e avaliação clínica individualizada.
“A reposição hormonal não deve ser vista como solução milagrosa. Em muitos casos, a perda de peso, a prática de exercícios físicos, a melhora da qualidade do sono e o controle de doenças associadas já promovem melhora significativa dos níveis hormonais e da qualidade de vida do paciente.”
Um alerta para a saúde masculina
A deficiência de testosterona pode ser identificada por meio de avaliação médica especializada e exames laboratoriais adequados. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de corrigir os fatores de risco e recuperar o bem-estar.
“A testosterona está ligada à saúde global do homem. Não falamos apenas de libido ou desempenho sexual, mas de energia, disposição, força muscular, saúde mental e qualidade de vida. O principal recado é que o homem não normalize sintomas que podem ser tratados e investigados adequadamente”, conclui o urologista Dr. Rodolfo José Favaretto Filho.
