Condição atinge milhões de pessoas no mundo e envolve fatores musculares, neurológicos e emocionais; especialistas defendem abordagem multidisciplinar

A dor crônica é uma das condições mais desafiadoras da medicina contemporânea e afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Além do impacto direto na qualidade de vida, ela pode comprometer o sono, alimentação, saúde mental e produtividade.
Entre os diferentes tipos de dor persistente, as chamadas dores orofaciais — que envolvem a região da face, mandíbula e articulação temporomandibular — seguem como um grupo frequentemente subdiagnosticado.
O conjunto inclui condições como disfunções temporomandibulares (DTM), bruxismo, dores musculares faciais e dores neuropáticas, que podem se manifestar de forma contínua ou episódica, muitas vezes confundidas com cefaleias ou tensões musculares comuns.
Segundo especialistas, esse cenário faz com que muitos pacientes levem anos até receber um diagnóstico preciso.
“O mais comum é vermos pacientes com dores na face, na mandíbula, dificuldade para mastigar, tensão muscular e dores de cabeça recorrentes sem uma identificação clara da causa”, afirma o cirurgião-dentista e especialista em dor orofacial, Dr. Nivaldo Vanni.
De acordo com ele, parte desses quadros pode ser identificada e tratada dentro da odontologia, especialmente em áreas que lidam com função mastigatória e articulação temporomandibular.
Além do componente físico, estudos recentes têm reforçado a relação entre dor crônica e saúde mental. Ansiedade, estresse e distúrbios do sono aparecem com frequência associados aos quadros de dor persistente, o que reforça a necessidade de uma abordagem integrada.
“Não se trata apenas de um ponto de dor. A condição afeta o indivíduo de forma global e exige uma visão multidisciplinar”, afirma o especialista.
Nos últimos anos, pesquisas em neurociência e farmacologia também têm avançado na compreensão dos mecanismos biológicos da dor, incluindo o papel do sistema endocanabinoide na modulação de processos inflamatórios e sensoriais.
Embora ainda em desenvolvimento, esse campo de estudo tem ampliado o debate sobre novas possibilidades terapêuticas para o manejo da dor crônica.
Para o Dr. Vanni, independentemente da abordagem utilizada, o diagnóstico correto segue como etapa central do tratamento.
“Cada paciente apresenta um quadro único. O essencial é identificar a origem da dor e construir uma estratégia terapêutica individualizada”, diz.
A odontologia, segundo ele, tem ampliado seu papel nesse contexto ao deixar de atuar apenas na saúde dentária e passar a integrar o cuidado de condições relacionadas à função, ao sono e ao bem-estar geral.
Com o envelhecimento da população e o aumento de fatores como estresse crônico e distúrbios do sono, especialistas avaliam que as dores orofaciais tendem a ganhar ainda mais relevância dentro da saúde pública e da prática clínica nos próximos anos.
