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Vermelhidão no rosto do goleiro Alisson Becker volta a chamar atenção; entenda a causa

Doença inflamatória crônica, a rosácea tem como principal característica a vermelhidão da pele, que pode ser piorada por gatilhos como a prática intensa de exercícios físicos

Créditos: Divulgação

São Paulo – 29/06/2026 – Quem acompanhou os últimos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo pode ter notado que, além do excelente desempenho em campo, o goleiro Alisson Becker apresenta uma forte vermelhidão no rosto. O aspecto, que costuma chamar ainda mais atenção em fotos, é causado por uma condição conhecida como rosácea, doença inflamatória crônica dos vasos da pele. “A principal característica da doença é a vermelhidão do rosto, principalmente no centro, devido a uma dilatação dos vasos da região, com consequente aumento do fluxo sanguíneo. Além disso, alguns pacientes também relatam sensação de calor”, diz a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Segundo a médica, alguns quadros de rosácea também podem ser acompanhados de sintomas oculares, como ressecamento dos olhos, e, em casos mais graves, podem surgir pápulas e pústulas, que são frequentemente confundidas com acne. “A rosácea diferencia-se da acne por não apresentar cravos e causar vermelhidão persistente com muitos vasinhos visíveis, o que não ocorre no quadro acneico. A localização das condições também ajuda a diferenciá-las, pois a acne é encontrada em várias áreas da face, pescoço e costas, enquanto a rosácea afeta principalmente a região do nariz, bochechas e queixo”, diz a especialista.

E os sintomas da rosácea tendem a piorar diante de algumas situações, incluindo a prática intensa de exercícios físicos. “Fatores que favorecem a vasodilatação ou irritam a pele com rosácea, que já é naturalmente mais sensível, podem piorar os sintomas, como exposição solar, calor, banhos quentes, sauna, mudanças bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, alimentos apimentados, bebidas muito quentes, exercício físico intenso, estresse, frio e uso de cosméticos agressivos, como esfoliantes, ácidos e produtos com álcool ou fragrâncias”, detalha a dermatologista, que ressalta que evitar esses gatilhos é fundamental para quem sofre com a doença. “Como os gatilhos variam de pessoa para pessoa, o diagnóstico correto feito por um dermatologista é indispensável para ajudar a identificá-los”, acrescenta.

De acordo com a Dra. Glauce Eiko, a origem exata da rosácea ainda é desconhecida, mas há um forte componente genético envolvido. “Além disso, a condição pode estar associada a alterações nos vasos sanguíneos da face e a uma resposta inflamatória exacerbada da pele, além de ser influenciada por fatores emocionais, como estresse contínuo e ansiedade”, detalha a médica. Ela acrescenta que a participação do Demodex folliculorum, um ácaro presente naturalmente na flora da pele, tem sido cada vez mais investigada no surgimento e na piora dos quadros de rosácea.

Apesar da causa ainda não estar totalmente esclarecida, a doença tem tratamento, que é fundamental para evitar que o quadro evolua e surjam complicações. “Sem tratamento, a rosácea pode evoluir para um quadro mais grave chamado de rinofima, uma complicação marcada pelo espessamento progressivo da pele do nariz, que pode se tornar mais volumoso, irregular, avermelhado e com poros dilatados, com surgimento de deformidades e impacto estético importante”, alerta a dermatologista.

Ela explica que, por ser uma doença crônica, a rosácea não tem cura e o tratamento foca no controle dos sintomas. “Além de evitar os gatilhos, o uso de protetor solar e cosméticos hidratantes hipoalergênicos é indispensável na rotina diária. O médico também pode indicar ativos tópicos calmantes para reduzir o rubor e, quando há a presença de pápulas e pústulas, podem ser prescritos medicamentos tópicos ou orais, como antibióticos e anti-inflamatórios. Já vasinhos aparentes e vermelhidão mais resistente podem ser tratados com tecnologias como laser e luz intensa pulsada”, diz a Dra. Glauce Eiko, que acrescenta que, devido ao papel do ácaro, a Ivermectina também pode ser indicada em alguns casos. “E quando há sintomas nos olhos, o acompanhamento com oftalmologista também pode ser indicado”, finaliza.

FONTE: *DRA. GLAUCE EIKO: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Graduada em Medicina pela Universidade de Gurupi, possui pós-graduação em Cirurgia Dermatológica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatologia e Oncologia Dermatológica pelo Hospital Sírio Libanês, além de especializações em Saúde Pública, Vigilância Sanitária e Epidemiológica. Também é graduada em Farmácia. CRM-SP: 137527 | RQE: 73365. Instagram: @dra.glauce.eiko