A cefaleia cervicogênica ganha esse nome por ter origem nas estruturas da região do pescoço. Medidas de prevenção envolvem exercício físico e mudança de hábitos

Passar horas em frente ao computador, alternar entre notebook e celular e manter uma postura inadequada durante o expediente podem estar por trás de uma dor de cabeça recorrente. Embora muitas pessoas associem o sintoma à enxaqueca ou ao estresse, em cerca de 4% da população a causa desse incômodo está na coluna cervical, condição conhecida como cefaleia cervicogênica.
Diferente de condições como a enxaqueca e a cefaleia tensional, essa é uma dor secundária, de acordo com Geovanna Andrade Labres de Souza, médica especialista em Medicina da Dor e coordenadora do Ambulatório da Dor do Hospital Angelina Caron (HAC), na Região Metropolitana de Curitiba. “Gerada por estruturas da região cervical, como articulações, músculos, ligamentos ou outras estruturas do pescoço, ela começa na região cervical ou na nuca e pode se irradiar para a cabeça, frequentemente predominando de um lado”, detalha.
A percepção de que a dor está na cabeça, embora tenha origem no pescoço, acontece porque os nervos da região cervical compartilham vias de transmissão da dor com estruturas da cabeça. “Por essa convergência, o cérebro pode interpretar um estímulo originado na coluna cervical como uma dor localizada na cabeça”, explica.
Como identificar a dor
Saber qual é a condição que causa a dor é o primeiro passo para resolver o problema. Além da dor irradiada que pode chegar a outras regiões da cabeça, a especialista orienta para sintomas como a redução da mobilidade cervical e a piora da dor com determinados movimentos ou posições mantidas do pescoço.
“Em muitos casos, a dor é predominantemente unilateral, embora isso não seja obrigatório. O paciente também pode apresentar dor à palpação de determinados pontos e sintomas associados no pescoço, ombro ou braço”, revela.
Soma de fatores
O uso excessivo de telas, a ergonomia inadequada e o sedentarismo estão entre os principais fatores que favorecem a má postura e aumentam o risco da cefaleia cervicogênica.
“A cabeça humana tem um peso significativo e, quando é mantida repetidamente projetada à frente, aumenta-se a demanda sobre a musculatura cervical e da cintura escapular. Isso pode favorecer sobrecarga, dor musculoesquelética e perpetuação de alterações mecânicas em pessoas predispostas”, afirma Geovanna.
Diagnóstico e tratamento
Dor de cabeça recorrente, que aumenta de frequência ou intensidade, interfere nas atividades diárias ou exige o uso frequente de analgésicos deve ser avaliada por um médico.
O diagnóstico é principalmente clínico e envolve uma avaliação detalhada da história do paciente, da mobilidade da coluna cervical e da relação entre os movimentos do pescoço e a dor. Exames de imagem podem ser solicitados em situações específicas, mas alterações encontradas em radiografias e ressonâncias nem sempre são responsáveis pelos sintomas, já que desgastes na coluna são comuns mesmo em pessoas sem dor.
O tratamento é individualizado e combina medidas para aliviar a dor e corrigir os fatores que contribuem para sua persistência. A fisioterapia, com exercícios voltados à mobilidade e ao fortalecimento da musculatura cervical e dos ombros, é uma das principais estratégias.
Mudanças de hábitos, orientação ergonômica e atividade física regular também fazem parte da recuperação. Em casos específicos, medicamentos e procedimentos intervencionistas podem ser indicados.
“A dor de cabeça não deve ser tratada como uma doença única. Existem diferentes tipos de cefaleia e cada um exige uma abordagem específica. Quando identificamos corretamente a origem da dor, conseguimos direcionar o tratamento e aumentar as chances de recuperação, evitando que o problema se torne crônico”, conclui Geovanna.
5 sinais que podem indicar que a dor de cabeça tem relação com a coluna cervical
- A dor começa no pescoço ou na nuca e se espalha para a cabeça, podendo chegar à região frontal ou ao redor dos olhos;
- Ela piora com determinados movimentos do pescoço ou após permanecer muito tempo na mesma posição;
- Existe limitação ou rigidez para movimentar a coluna cervical, especialmente para girar ou inclinar a cabeça;
- A dor se intensifica ao pressionar determinadas regiões do pescoço;
- A cefaleia ocorre acompanhada de dor cervical, muitas vezes com desconforto também na região dos ombros.
