Indicada para casos selecionados, técnica trata de forma localizada a região onde está o câncer e busca preservar o restante da próstata, reduzindo impactos do tratamento

O diagnóstico de câncer de próstata nem sempre significa que o paciente precisará passar por uma cirurgia para retirada de toda a glândula. Com o avanço das tecnologias de diagnóstico e tratamento, homens com tumores localizados e características específicas podem ser candidatos à terapia focal, procedimento que atua diretamente na área onde está o câncer e busca preservar o restante da próstata.
A técnica, já utilizada há mais tempo em centros dos Estados Unidos e da Europa e ainda relativamente recente no Brasil, também começa a ampliar as possibilidades de tratamento disponíveis aos pacientes no País. O urologista Alberto Tomé, que atua no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata no Noroeste do Paraná, está entre os médicos que realizam o procedimento.
Nem todo câncer de próstata exige a retirada da próstata. Quando a doença é descoberta no início, alguns pacientes podem ter indicação para a terapia focal, que permite tratar diretamente a região onde está o tumor”, explica o médico.
No procedimento, agulhas são posicionadas de maneira precisa na região do tumor e utilizadas para aplicar energia capaz de destruir as células tumorais. A principal diferença em relação à cirurgia convencional é que, em vez da retirada de toda a próstata, o tratamento fica concentrado na área onde a doença foi identificada.
“Tratamos o foco do câncer e buscamos preservar o restante da glândula. Mas, para isso, precisamos conhecer muito bem a localização e as características daquele tumor. A indicação é bastante criteriosa”, ressalta Alberto Tomé.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento
Descobrir o câncer de próstata em estágio localizado é um dos fatores que podem ampliar as possibilidades terapêuticas. No caso da terapia focal, além do momento do diagnóstico, é necessário avaliar localização e extensão da doença, grau de agressividade, níveis de PSA, exames de imagem e resultados da biópsia.
Por isso, a evolução dos métodos de diagnóstico está diretamente relacionada ao avanço de tratamentos mais individualizados.
“Não basta saber que existe um câncer. Precisamos identificar onde ele está, sua extensão e se existem outros focos relevantes na próstata. Quanto mais preciso é o diagnóstico, mais elementos temos para definir qual tratamento é adequado para aquele paciente”, explica o urologista.
Alberto Tomé foi um dos primeiros médicos do Brasil a incorporar à prática clínica o micro-ultrassom, tecnologia de alta resolução utilizada na investigação do câncer de próstata e na realização de biópsias direcionadas. O equipamento opera em frequência de 29 MHz e permite visualizar a próstata em tempo real, auxiliando na identificação de áreas suspeitas.
Preservação da próstata e qualidade de vida
Um dos principais objetivos da terapia focal é buscar o controle da doença preservando tecidos saudáveis e estruturas relacionadas às funções urinária e sexual.
Por atingir uma região delimitada da próstata, o procedimento pode reduzir alguns dos impactos funcionais associados aos tratamentos de toda a glândula. Isso, entretanto, não significa ausência de riscos nem que a técnica seja adequada para todos os pacientes.
A terapia focal também não substitui indiscriminadamente tratamentos já estabelecidos, como a prostatectomia radical e a radioterapia. Dependendo das características da doença, essas opções continuam sendo necessárias. Em outros casos de baixo risco, o paciente pode ser acompanhado por meio de vigilância ativa, sem tratamento imediato.
“Hoje temos mais possibilidades e conseguimos individualizar melhor a decisão. Há pacientes que precisam retirar a próstata, há aqueles que podem permanecer em acompanhamento e há um grupo que pode se beneficiar da terapia focal. O importante é definir a estratégia de acordo com as características do câncer e de cada paciente”, afirma Tomé.
Para Alberto Tomé, que já realiza a terapia focal, a tecnologia representa mais uma possibilidade dentro de um conjunto de tratamentos que deve ser definido individualmente.
“O objetivo não é simplesmente fazer um procedimento menor. O primeiro compromisso continua sendo tratar o câncer com segurança. Mas, quando conseguimos diagnosticar a doença no momento adequado, localizar precisamente o tumor e o paciente tem indicação, podemos tratar de maneira mais direcionada e buscar preservar o máximo possível da próstata e da qualidade de vida”, conclui.
