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A árvore certa no lugar certo: como a arborização transforma as cidades

Planejamento técnico da escolha ao manejo das espécies pode contribuir para o conforto térmico, a biodiversidade e a adaptação dos municípios aos eventos climáticos

Calçada urbana arborizada com fileira de árvores, bancos, pedestre caminhando, carros na via e prédios ao fundo

No Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, a discussão sobre a presença da flora urbana ganha uma dimensão que vai além do paisagismo. Escolher onde plantar, qual exemplar utilizar e como conduzir seu desenvolvimento são decisões que envolvem características do solo, espaço disponível, infraestrutura local e condições meteorológicas.

Em São Paulo, a própria legislação estabelece a ampliação das áreas verdes arborizadas como uma estratégia para melhorar a qualidade ambiental dos municípios. Apenas na capital paulista, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) estima a existência de mais de 620 mil árvores catalogadas em praças, calçadas e canteiros centrais. Contudo, dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que um terço dos moradores do Estado ainda vive em vias desprovidas de cobertura vegetal. Para equacionar essa distribuição e prevenir conflitos com a fiação elétrica ou tubulações subterrâneas, a seleção de mudas exige critérios técnicos rigorosos, assegurando a capacidade de drenagem pluvial e a mitigação do calor em áreas adensadas.

Além do plantio estruturado, o trato adequado garante a segurança da população e a preservação do patrimônio. Para respaldar essas intervenções, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) estruturou, no início do ano, o Comitê Técnico de Normatização e Manejo Arbóreo. A iniciativa responde às mudanças na Lei nº 15.299/2025, que prevê o prazo de até 45 dias para que os municípios se manifestem sobre pedidos de poda ou remoção quando houver perigo de acidentes. O avanço das diretrizes estaduais autoriza ações preventivas de poda e corte emergencial em árvores com risco de queda, desde que respaldadas por laudo emitido por engenheiros agrônomos ou florestais registrados e habilitados no Conselho.

Destacando a relevância dos critérios profissionais na composição do espaço público, a engenheira agrônoma e diretora técnica do Crea-SP, Gisele Herbst Vazquez, explica a complexidade dessa seleção. “A regra de ouro é muito clara: a árvore certa no lugar certo. A escolha da espécie não pode ser baseada apenas na estética, mas em uma avaliação técnica rigorosa de compatibilidade espacial e biológica, observando o sistema radicular, o porte e a arquitetura da copa para evitar o rompimento de calçadas, muros e galerias, além de conflitos com a rede elétrica”, pontua.

O equilíbrio entre a gestão das florestas nativas e a expansão da arborização viária consolida o papel das ciências agrárias e florestais na adaptação dos municípios frente às mudanças climáticas recentes. A especialista reforça como a vegetação atua no enfrentamento de ilhas de calor e tempestades. “As árvores são o exemplo mais perfeito de Soluções Baseadas na Natureza (SbN).

Em vez de dependermos exclusivamente do concreto, utilizamos a própria dinâmica natural para proteger a cidade. Diante do calor extremo, elas funcionam como condicionadores de ar biológicos pelo sombreamento e evapotranspiração. Já nas chuvas fortes, a copa amortece a água e as raízes melhoram a infiltração da terra, reduzindo alagamentos e o colapso da drenagem pluvial”, completa a engenheira.

Sobre o Crea-SP

Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.

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