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Cinco mitos sobre ergonomia que ainda colocam trabalhadores em risco

Especialista explica por que ergonomia vai muito além da cadeira e do monitor e deve considerar rotina, movimentos, pausas e organização do trabalho

Homem sentado em bola de exercícios usando laptop e mulher em pé em mesa ajustável trabalhando em um espaço com plantas e estante

O Brasil registrou, em 2025, 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes, o maior número de acidentes da série histórica analisada, segundo dados do Ministério do Trabalho. Os números não representam exclusivamente problemas ergonômicos, mas ajudam a dimensionar o impacto das condições de trabalho sobre a saúde.

“Muita gente ainda associa ergonomia à ideia de uma cadeira ajustada, monitor na altura dos olhos. Esses cuidados fazem parte sim de uma avaliação ergonômica, mas estão longe de representar toda a complexidade da relação entre trabalhador, atividade e ambiente de trabalho”, explica o ergonomista Alisson Klein, da startup Kinebot.

Segundo o especialista, uma análise ergonômica precisa considerar o trabalho como um sistema. “É preciso entender o que o trabalhador faz, por quanto tempo, com que frequência, quais movimentos realiza, como organiza suas atividades e quais exigências físicas e cognitivas estão envolvidas.”

Partindo disso, pedimos para Klein listar cinco mitos que ainda rondam a área e como combater esses mitos. Confira:

Ergonomia é cuidado prioritariamente com mobiliário

Em um escritório, não basta verificar a altura da mesa ou a posição do monitor. “A avaliação precisa considerar também tempo sentado, uso contínuo de teclado e mouse, alternância entre tarefas, movimentos repetitivos, pausas e a própria organização do trabalho”, diz o especialista.

Já na indústria, é preciso considerar ainda fatores como levantamento e transporte de cargas, aplicação de força, alcance, repetição de movimentos, postura e características dos equipamentos utilizados durante a jornada.

A própria NR-17, que estabelece diretrizes relacionadas à ergonomia, considera aspectos que vão além do mobiliário e aborda, entre outros pontos, a organização do trabalho e fatores relacionados à sobrecarga física e cognitiva.

Home office não exige ergonomia

“Esse não só é mito como também vem sendo um desafio”, reforça Klein. O fato de o trabalhador estar fora da empresa não elimina os riscos ergonômicos.

No trabalho remoto ou híbrido, é comum adaptar espaços domésticos com mesas, cadeiras e equipamentos que não foram necessariamente pensados para uma jornada prolongada. A rotina também pode favorecer períodos extensos na mesma posição, poucas pausas e concentração de atividades diante da tela.

Para enfrentar esse cenário, a Kinebot desenvolveu uma solução voltada à avaliação e gestão de riscos ergonômicos em ambientes remotos. “A plataforma permite que funcionários façam uma avaliação do próprio posto de trabalho por meio de questionários, fotos e vídeos, gerando informações individualizadas sobre as condições encontradas”, explica o ergonomista.

Para evitar lesões, basta manter a postura correta

A chamada postura dinâmica parte da ideia de que variar posições e movimentos é importante. Permanecer por muito tempo na mesma postura, mesmo que considerada adequada, pode gerar sobrecarga.

Isso vale tanto para quem passa horas diante do computador quanto para trabalhadores que permanecem em pé, executam tarefas manuais ou repetem determinados movimentos.

“Mais importante do que buscar uma postura perfeita é evitar a permanência prolongada em uma mesma condição. O corpo foi feito para se movimentar”, explica Klein.

Pausas geram perda de produtividade

Ao contrário. As pausas não só fazem parte da produtividade, como também auxiliam na redução de riscos. A NR-17 prevê pausas e outros mecanismos de recuperação em atividades que possam gerar sobrecarga.

Mas pausa não significa necessariamente abandonar a estação de trabalho por alguns minutos. Dependendo da atividade, alternar tarefas, mudar de postura, caminhar e interromper períodos prolongados de movimentos repetitivos também podem contribuir para a recuperação.

“O que importa é entender qual é a demanda daquela atividade e como o trabalho pode ser organizado para permitir recuperação. Não existe uma receita única de pausa que sirva para todas as profissões”, ressalta o ergonomista.

A dor avisa quando priorizar a ergonomia

Esperar o aparecimento de sintomas significa atuar de forma reativa. Já a ergonomia deve ser utilizada de maneira preventiva, identificando movimentos repetitivos, posturas inadequadas, aplicação excessiva de força ou períodos prolongados de exposição antes que o problema se manifeste ou se agrave.

Os fatores de risco não aparecem apenas em atividades tradicionalmente associadas ao trabalho pesado. Profissionais administrativos, motoristas, trabalhadores do comércio, profissionais da saúde, operadores industriais e pessoas em trabalho remoto estão expostos a diferentes exigências ao longo da jornada.

“Quando falamos em prevenção, não estamos procurando apenas aquilo que já deu errado. A ideia é identificar situações que podem gerar sobrecarga e atuar sobre elas antes que se transformem em um problema”, explica Klein.

Sobre a Kinebot

Fundada em Curitiba, em 2020, a Kinebot desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial, visão computacional e ergonomia para apoiar empresas na gestão da saúde e segurança do trabalho. A plataforma está presente em mais de 30 países e já analisou mais de 500 mil trabalhadores.

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