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Setembro verde: doação de tecidos pode ajudar na recuperação de movimentos e no tratamento de lesões

INTO explica como funciona a doação de ossos, tendões, cartilagens, pele e córneas e reforça a importância da autorização familiar

Quando se fala em transplante, é comum que a primeira associação seja com órgãos como coração, fígado e rins. Mas a doação também pode envolver tecidos, como ossos, tendões, cartilagens, pele e córneas, que podem ser utilizados em diferentes tratamentos. Durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) reforça a importância de conhecer essa possibilidade e, principalmente, conversar sobre o assunto com os familiares.

“Muitas pessoas ainda desconhecem a possibilidade de doação de tecidos que não são tão falados na mídia, como ossos, tendões e cartilagem articular. Esses tecidos, também chamados de musculoesqueléticos, podem ajudar muitas pessoas a melhorar sua qualidade de vida, ajudando pacientes a recuperar movimentos e reduzir dores”, explica o ortopedista e chefe do Banco de Multitecidos do INTO, Rafael Prinz.

Entre os tecidos que podem ser obtidos a partir da doação estão córnea e esclera, provenientes do globo ocular; pele; membrana amniótica; ossos; tendões; meniscos e cartilagem articular, também chamada de tecido osteocondral. No INTO, esses materiais são processados e disponibilizados pelo Banco de Multitecidos para utilização em diferentes tratamentos, que vão desde a reconstrução de ossos e articulações e a recuperação de lesões até procedimentos nos olhos e o tratamento de queimaduras e outras lesões de pele.

Para que esses tecidos cheguem a quem precisa, porém, é necessário que a família autorize a doação. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) mostram que, em 2025, 45% das famílias entrevistadas no país recusaram a doação de órgãos. Foram 9.261 entrevistas realizadas no período, das quais 4.200 resultaram em negativa familiar. No Rio de Janeiro, foram 254 recusas entre 760 entrevistas, o equivalente a 33%.

Um dos principais fatores que levam à resistência da família na doação de órgãos e tecidos, segundo o médico, é a desinformação. “Existe o receio de como ficará o corpo do ente querido após a retirada dos tecidos, o que pode levar à negativa familiar. É importante esclarecer que realizamos a reconstituição do corpo do doador, de forma a garantir que seu aspecto durante o funeral seja preservado”, explica Prinz.

Além da conversa com os familiares, existem mecanismos que permitem registrar a vontade de ser doador. A Autorização Eletrônica para Doação de Órgãos (AEDO), disponível desde 2024, permite formalizar esse desejo de forma digital. A nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) também possibilita registrar a informação de que a pessoa é doadora de órgãos.

“Esses mecanismos atuais ajudam a reforçar o desejo daquele familiar em vida, o que facilita a decisão de sua família sobre a doação. Mas é importante reforçar que somente com a autorização familiar a doação irá adiante”, ressalta o médico.

Da captação ao transplante

Depois da autorização familiar, os tecidos passam por uma série de etapas antes de serem disponibilizados para transplante. Durante a captação, uma equipe multiprofissional formada por ortopedistas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, biólogos e farmacêuticos se desloca até a unidade de saúde onde está o doador. Cada tecido é então armazenado de acordo com suas características e necessidades de conservação e, posteriormente, encaminhado ao banco de tecidos.

No Banco de Multitecidos do INTO, os materiais são preparados em ambiente controlado e armazenados em condições específicas até o momento do transplante. Ao longo do processo, são realizadas análises para verificar a qualidade e a segurança dos tecidos, incluindo testes de contaminação, exames sorológicos, avaliações dos meios de preservação e, no caso dos tecidos ósseos e articulares, análises radiológicas e topográficas. Também são realizados exames histopatológicos para avaliar a qualidade dos tecidos.

A partir da avaliação conjunta dos resultados dos exames e das condições do doador, o responsável técnico médico de cada tecido define se o material poderá ser utilizado em transplantes. Os tecidos aprovados são então destinados de acordo com as solicitações das equipes médicas. No caso dos tecidos oculares, a alocação segue o direcionamento da Central de Transplantes para atendimento à fila de espera estadual.

Para quem recebe, o tecido doado pode ser utilizado em diferentes tratamentos, de acordo com a necessidade de cada paciente. Nos casos musculoesqueléticos, por exemplo, ossos, tendões, meniscos e cartilagens podem ser empregados na reconstrução de estruturas afetadas por lesões ou outras condições.

“O tecido gera qualidade de vida para quem precisa. No caso do tecido musculoesquelético, pode ajudar pacientes com limitações articulares e dores a terem uma vida mais ativa, muitas vezes recuperando condições próximas às existentes antes da lesão”, explica o médico.

O Banco de Multitecidos do INTO tem abrangência nacional e realiza a distribuição gratuita dos tecidos para pacientes que necessitam de transplantes. Dessa forma, os materiais captados e processados pelo Instituto podem ser destinados a diferentes estados brasileiros, de acordo com as necessidades dos pacientes e os critérios estabelecidos para cada tecido.

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