Cerca de 528 milhões de pessoas vivem com artrose no mundo e 60% dos casos ocorrem em mulheres, segundo a OMS

A artrose ainda é frequentemente associada ao envelhecimento, mas o diagnóstico tem aparecido cada vez mais cedo, inclusive entre mulheres na faixa dos 40 anos. Dores articulares persistentes, rigidez e perda de mobilidade já fazem parte da rotina de pacientes que estão longe da terceira idade, segundo a experiência clínica de especialistas.
O cenário ganha dimensão quando observado pelos números. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 528 milhões de pessoas vivem com artrose no mundo e que as mulheres representam 60% desse total. A maior incidência entre elas está relacionada a uma combinação de fatores hormonais, metabólicos, genéticos e mecânicos e reforça a necessidade de olhar para a doença para além da idade.
Mais do que uma consequência inevitável do envelhecimento, a artrose é uma doença que pode ser identificada precocemente e ter sua evolução controlada. Reconhecer os primeiros sinais e adotar medidas de prevenção pode fazer diferença na preservação da mobilidade e da qualidade de vida.
O que explica a maior frequência da doença entre as mulheres?
A explicação passa por uma combinação de fatores, como explica o Dr. Lucas Ribeiro Leite, Médico Ortopedista e Traumatologista, Especialista em Cirurgia do Joelho e Medicina Desportiva e consultor
DMC Group
O principal deles está relacionado às alterações hormonais que acontecem durante o climatério e a menopausa.
“A redução dos níveis de estrogênio interfere na manutenção da cartilagem e de outras estruturas articulares, favorecendo processos inflamatórios e acelerando o desgaste das articulações. Não por acaso, muitas mulheres relatam o início ou a piora das dores justamente nessa fase da vida”, destaca o especialista.
Mas os hormônios não explicam tudo. “Nessa fase, também é comum a perda de massa muscular, e os músculos têm papel decisivo na proteção das articulações. Fortes, eles funcionam como amortecedores naturais, estabilizam o movimento e distribuem as cargas que, de outra forma, recairiam diretamente sobre a cartilagem. Quando essa musculatura enfraquece, as articulações ficam mais expostas ao desgaste, por isso, manter ou recuperar a massa muscular com exercícios de força é uma das formas mais eficazes de proteger joelhos e quadris”, ressalta Dr. Lucas.
O médico também destaca que outro fator importante é o metabólico. O excesso de peso e a obesidade contribuem para a artrose de duas formas: além de aumentarem a sobrecarga mecânica sobre as articulações, o tecido adiposo produz substâncias inflamatórias que favorecem processos inflamatórios em todo o organismo. Isso ajuda a explicar por que a doença pode surgir ou se agravar até mesmo em articulações que não suportam peso, como as mãos. Nesse contexto, doenças metabólicas, como obesidade e diabetes, também são fatores relevantes. A predisposição genética, o sedentarismo e as lesões acumuladas ao longo da vida completam esse conjunto de fatores.
“Hoje sabemos que o quadro não acontece apenas porque uma articulação foi “usada demais”. Trata-se de uma doença complexa, resultado da interação entre fatores mecânicos, biológicos e inflamatórios”, diz o especialista.
Sentir dor é normal?
Além da dor, a artrose costuma provocar rigidez, especialmente ao acordar ou após períodos prolongados de repouso, sensação de travamento da articulação, estalos frequentes e redução gradual da mobilidade, como destaca o ortopedista.
“É muito comum ouvir no consultório pacientes dizerem que a dor apareceu depois de subir escadas, caminhar longas distâncias ou permanecer muito tempo sentadas. Aos poucos, começam também a surgir dificuldades para agachar, praticar exercícios ou realizar atividades simples do cotidiano. O problema é que esses sinais costumam ser atribuídos ao cansaço, à rotina ou simplesmente à idade. Com isso, há uma demora em procurar avaliação médica, o que permite à doença continuar evoluindo silenciosamente.”
Como o diagnóstico precoce pode ajudar?
O diagnóstico precoce da artrose aumenta as chances de controlar a progressão da doença, aliviar os sintomas e preservar a função das articulações.
A identificação da condição combina avaliação clínica e exames complementares. Na consulta, o médico analisa o histórico e os sintomas relatados pelo paciente, enquanto o exame físico verifica sinais como dor, inchaço, rigidez, limitação dos movimentos e possíveis alterações na biomecânica da articulação.
Dr. Lucas Ribeiro Leite explica que, para confirmar o diagnóstico e determinar o estágio da doença, os exames de imagem desempenham papel fundamental. “A radiografia permite identificar sinais característicos da artrose, como o estreitamento do espaço articular, a formação de osteófitos (popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”) e demais alterações no osso. Em situações específicas, exames como ressonância magnética podem ser indicados para uma avaliação mais detalhada das estruturas articulares, especialmente quando há suspeita de lesões associadas ou quando os sintomas não correspondem aos achados da radiografia”.
Em alguns casos, também podem ser solicitados exames laboratoriais para auxiliar no diagnóstico diferencial e descartar outras doenças articulares inflamatórias, como a artrite reumatoide. “O mais importante é não esperar que a dor se torne intensa ou incapacitante para procurar avaliação especializada. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a mobilidade e a qualidade de vida. Embora não seja possível modificar fatores como idade ou herança genética, existem diversas medidas capazes de reduzir o risco de desenvolver artrose ou desacelerar sua evolução”.
Manter o peso corporal adequado ajuda a reduzir a sobrecarga sobre joelhos e quadris. A prática regular de atividade física fortalece a musculatura que contribui para a estabilidade das articulações, melhora o equilíbrio e reduz a dor. O tratamento adequado de lesões esportivas e a redução de longos períodos de sedentarismo também são medidas importantes para preservar a saúde articular ao longo dos anos.
Tratamento da artrose avança com novas abordagens
O tratamento da artrose envolve diferentes estratégias, que incluem fisioterapia, fortalecimento muscular, reeducação do movimento, controle do peso e medicamentos. Ao mesmo tempo, os avanços da medicina têm ampliado as opções terapêuticas disponíveis para os pacientes, como explica o médico especialista.
“A utilização de ortobiológicos é um bom exemplo. Recursos como o PRP e o SFV – fração rica em células mesenquimais e fatores de sinalização – podem ajudar a melhorar a dor e a função, criando um ambiente biológico mais favorável dentro da articulação. Essas possibilidades abrem uma nova perspectiva para o tratamento da artrose, especialmente a do joelho, e no Brasil já são uma realidade, sendo o presente, não o futuro”, ressalta.
Em pacientes cuidadosamente selecionados, essas terapias podem contribuir para reduzir sintomas, melhorar a função articular e retardar a progressão da doença, sempre com indicação individualizada e baseada em critérios clínicos. Mais do que tratar a dor, o objetivo atual é preservar a articulação pelo maior tempo possível.
“A maior mudança que precisamos fazer é cultural. Sentir dor persistente nas articulações antes dos 50 anos não deve ser considerado normal, muito menos um preço inevitável do envelhecimento. Quanto mais cedo a artrose é reconhecida, maiores são as oportunidades de preservar movimento, autonomia e qualidade de vida. E, felizmente, hoje contamos com recursos muito mais eficazes do que há alguns anos para ajudar o paciente a continuar vivendo com liberdade e sem que a doença determine seus limites”, conclui Dr. Lucas Ribeiro Leite.
DMC Group
A DMC é uma empresa de tecnologia médica especializada no desenvolvimento de dispositivos para as áreas de saúde e estética. Fundada em 1998, em São Carlos (SP), um dos principais polos brasileiros de ciência e tecnologia.
Com presença no Brasil e nos Estados Unidos, reúne pesquisa científica, engenharia biomédica, tecnologias fotônicas e inteligência artificial para desenvolver soluções que apoiam profissionais de saúde e contribuem para tornar tratamentos mais precisos, seguros e eficientes. Saiba mais: https://dmcgroup.com.br/
