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Criança desatenta ou problema de audição? Sinais que podem passar despercebidos pelos pais

Dificuldade para acompanhar conversas, pedir repetição de comandos e aumentar o volume dos eletrônicos podem indicar perda auditiva; especialista explica por que até crianças que passaram no “teste da orelhinha” precisam de atenção

criança deitada de lado sobre tapete claro brincando com um carrinho de madeira, com sofá desfocado ao fundo

“Meu filho escuta, só não presta atenção.” A frase é comum entre pais de crianças que precisam ser chamadas várias vezes, parecem distraídas durante uma conversa ou não respondem quando alguém fala com elas. Mas, em alguns casos, o problema pode não estar na atenção: uma alteração auditiva, inclusive leve ou moderada, pode fazer com que a criança tenha dificuldade para compreender o que é dito, principalmente em ambientes com outros ruídos.

O comportamento pode ser ainda mais difícil de perceber porque a criança nem sempre deixa de responder completamente. Quando alguém fala diretamente com ela, por exemplo, pode utilizar pistas visuais, como observar a boca de quem está falando, para compensar a dificuldade de ouvir. Em uma conversa em grupo, porém, a tarefa pode se tornar muito mais difícil.

“Quem passa mais tempo com a criança pode perceber que ela precisa ser chamada mais de perto ou mais alto, parece facilmente distraída com seus afazeres ou participa menos de conversas em grupo. Muitas vezes, como responde quando o diálogo é dirigido diretamente a ela, os pais entendem que ela escuta e acabam atribuindo o comportamento à distração”, explica o otorrinolaringologista e foniatra Dr. Gilberto Ferlin, do Hospital Paulista.

Quando a desatenção pode ser outra coisa?

Segundo o especialista, alguns sinais do cotidiano merecem atenção. Pedir que os outros repitam comandos com frequência, parecer não compreender o que foi dito na primeira vez, aumentar muito o volume de aparelhos eletrônicos e apresentar dificuldade para acompanhar conversas em ambientes barulhentos estão entre eles.

A criança também pode apresentar alterações na fala, como trocas de sons ou dificuldade para se expressar. Em crianças pequenas, uma perda auditiva durante a fase de aquisição da fala e da linguagem pode reduzir a exposição aos sons e às situações de conversação, prejudicando o desenvolvimento do vocabulário e da comunicação.

“Determinados padrões de alteração nos sons da fala e na expressão verbal podem justificar uma investigação auditiva. Perdas auditivas leves ou moderadas durante a fase de aquisição e desenvolvimento da fala e da linguagem podem prejudicar a exposição da criança às situações de conversação e, consequentemente, interferir no desenvolvimento social e cognitivo”, afirma Ferlin.

As consequências podem aparecer também na escola.

Dificuldades para compreender instruções, acompanhar explicações ou participar de atividades coletivas podem ser confundidas com desatenção, falta de interesse ou até levantar suspeitas de outros transtornos do neurodesenvolvimento.

Passou no teste da orelhinha? Ainda assim é preciso ficar atento

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o resultado normal do teste da orelhinha significa que a criança não terá problemas auditivos no futuro.

Não é bem assim. O teste da orelhinha é uma triagem auditiva neonatal, realizada nos primeiros dias de vida. Ele é importante para identificar precocemente determinadas alterações auditivas presentes desde o nascimento, mas não substitui uma avaliação audiológica completa nem é capaz de prever todas as perdas que podem surgir posteriormente.

“É fundamental entender que o teste da orelhinha é um exame de triagem e não deve ser confundido com o diagnóstico audiológico. Depois da realização do exame, podem ocorrer perdas auditivas por diferentes fatores, como otites, doenças virais, uso de determinados medicamentos e algumas condições genéticas”, explica o médico.

Por isso, uma criança que passou pela triagem neonatal também deve ser avaliada caso apresente sinais de dificuldade para ouvir ou alterações no desenvolvimento da fala e da linguagem.

Otites e problemas respiratórios também merecem atenção

Infecções frequentes das vias aéreas podem aumentar o risco de otites durante a infância, e algumas alterações decorrentes desses quadros podem comprometer temporariamente a audição.

Outro ponto observado pelo especialista é a qualidade do sono. Crianças que dormem mal por causa de obstrução nasal frequente, especialmente quando há ronco, podem apresentar dificuldades de atenção e concentração durante o dia. Nesse caso, o problema não necessariamente está relacionado à audição, mas o efeito no comportamento pode ser semelhante.

“Distúrbios do sono que comprometem a atenção podem afetar o comportamento e trazer repercussões para o desenvolvimento da fala e da linguagem. Por isso, é importante observar a criança de maneira global”, orienta Ferlin.

Também é importante observar os marcos de desenvolvimento da comunicação. De acordo com o especialista:

Por volta de um ano, a criança já deve começar a utilizar uma ou duas palavras com intenção comunicativa;

Aos dois anos, espera-se ampliação do vocabulário e formação de frases simples;

Por volta dos três anos e meio, sua fala já deve ser compreendida também por pessoas que não convivem habitualmente com ela.

Quando esses marcos não são alcançados, a investigação pode ajudar a identificar se existe alguma alteração auditiva, de fala, voz, respiração ou outras condições interferindo no desenvolvimento.

Quando procurar um especialista?

Alguns sinais justificam uma avaliação com otorrinolaringologista, especialmente quando são persistentes ou aparecem associados:

  • a criança não responde de forma consistente quando é chamada pelo nome;
  • pede frequentemente para repetir o que foi dito;
  • precisa ser chamada de perto ou em volume mais alto;
  • aumenta excessivamente o volume da televisão ou de outros eletrônicos;
  • tem dificuldade para acompanhar conversas em grupo ou em ambientes barulhentos;
  • apresenta atrasos ou alterações na fala;
  • tem infecções de ouvido ou das vias respiratórias com frequência;
  • ronca e apresenta sono agitado;
  • demonstra dificuldades persistentes de atenção ou concentração.

A principal recomendação, portanto, é não esperar que a criança deixe completamente de responder aos sons para investigar sua audição. Às vezes, ela escuta — mas não consegue ouvir ou compreender tudo o que está sendo dito.

Sobre o Hospital Paulista
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e, durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial e Foniatria. Referência em seu segmento e com alta resolutividade, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia. Dispõe de profissionais de alta capacidade oferecendo excelentes condições de suporte especializado 24 horas por dia.

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