Estudo de fase 3 mostrou aumento da mediana de sobrevida global de 12,7 para 21,1 meses com a associação de tarlatamabe e durvalumabe

Uma combinação de dois medicamentos com ação sobre o sistema imunológico ampliou a sobrevida de pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio extenso, uma forma agressiva da doença. Os resultados do estudo internacional de fase 3 DeLLphi-305, apresentados neste sábado (24), durante o Simpósio Presidencial I do Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha, mostraram que a associação de tarlatamabe e durvalumabe reduziu em 58% o risco de morte em comparação com o uso isolado de durvalumabe.
A mediana de sobrevida global foi de 21,1 meses entre os pacientes que receberam a combinação, contra 12,7 meses no grupo tratado apenas com durvalumabe. O resultado corresponde a uma diferença de 8,4 meses entre as medianas dos dois grupos. A sobrevida global é o tempo entre o início do acompanhamento definido pelo estudo e a morte por qualquer causa, sendo um dos principais indicadores utilizados para avaliar a eficácia de um tratamento contra o câncer.
O DeLLphi-305 incluiu 563 pacientes cuja doença não havia progredido após o tratamento inicial com durvalumabe associado à quimioterapia com platina e etoposídeo. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu tarlatamabe combinado a durvalumabe, enquanto o outro continuou recebendo apenas durvalumabe. O acompanhamento mediano foi de aproximadamente 16 meses.
“Um aspecto importante desse estudo é o momento em que o tratamento é utilizado. Estamos falando de pacientes que já receberam quimioterapia e imunoterapia e cuja doença não progrediu. Nessa etapa, o desafio é prolongar o controle do câncer pelo maior tempo possível. A diferença observada no tempo sem progressão mostra o potencial dessa estratégia para manter a doença sob controle após o tratamento inicial”, afirma a Dra. Mariana Laloni, oncologista clínica e Diretora Médica Técnica da Oncoclínicas&Co.
Além da melhora na sobrevida global, os resultados mostraram que, após um ano, 79,4% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos, em comparação com 53,3% daqueles que receberam apenas durvalumabe. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa.
“O que chama a atenção nesse estudo é o benefício observado ao acrescentar uma segunda imunoterapia ao tratamento. Estamos falando de uma doença agressiva, para a qual ainda precisamos ampliar as alternativas capazes de prolongar a vida dos pacientes. Os resultados mostram uma diferença importante na sobrevida global e também no controle da doença, trazendo uma perspectiva relevante para o tratamento do câncer de pulmão de pequenas células”, afirma o Dr. Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da CENTOGENE.
Mais tempo sem progressão da doença
O benefício também foi observado no controle do câncer. A mediana de sobrevida livre de progressão (indicador que mede o período em que a doença não avança ou o paciente não vai a óbito) foi de 7,4 meses com a combinação, contra 1,9 mês com durvalumabe isolado. Isso representa uma redução de 66% no risco de progressão da doença ou morte.
A taxa de resposta objetiva, que corresponde à proporção de pacientes que apresentaram redução mensurável do tumor, também foi maior entre aqueles que receberam os dois medicamentos: 26,4%, contra 4,1% no grupo de controle.
Os achados são relevantes porque o estudo avaliou pacientes que já haviam passado pela primeira etapa do tratamento e cuja doença não havia progredido. Nesse contexto, a chamada terapia de manutenção tem como objetivo prolongar o controle do câncer obtido com o tratamento inicial.
A proposta do DeLLphi-305 foi investigar se a adição do tarlatamabe poderia ampliar esse benefício. Os resultados demonstraram vantagens na sobrevida global, na sobrevida livre de progressão e na resposta ao tratamento, levando os autores a considerar a combinação uma possível nova referência para a terapia de manutenção de primeira linha nesse cenário.
Como funciona o tratamento de manutenção?
No câncer de pulmão de pequenas células em estágio extenso, o tratamento inicial pode combinar quimioterapia e imunoterapia. Quando a doença não progride após essa etapa, os médicos podem recomendar a continuidade de um tratamento com o objetivo de manter o controle do tumor pelo maior tempo possível.
No estudo, o durvalumabe foi mantido nos dois grupos, mas uma parte dos pacientes também recebeu tarlatamabe. A comparação permitiu avaliar o benefício adicional da nova combinação em relação à manutenção com durvalumabe isolado.
A estratégia é particularmente relevante porque busca prolongar o controle de uma doença agressiva em uma etapa na qual ainda existe risco de o câncer voltar a crescer ou se disseminar. Os resultados reforçam a importância de investigar novas combinações terapêuticas capazes de ampliar a duração dos benefícios obtidos com o tratamento inicial.
Segurança e acompanhamento continuam importantes
Como ocorre com outros tratamentos oncológicos, a combinação também apresentou efeitos adversos que precisam ser considerados na decisão clínica. Eventos adversos de grau 3 ou superior, que podem exigir intervenções médicas importantes, foram registrados em 46,8% dos pacientes que receberam tarlatamabe e durvalumabe, contra 40,6% daqueles tratados apenas com durvalumabe.
Entre os efeitos associados ao tarlatamabe está a síndrome de liberação de citocinas, uma reação inflamatória provocada pela ativação do sistema imunológico. Ela foi registrada em 49,6% dos pacientes que receberam a combinação, mas os casos de grau 3 ou superior corresponderam a 0,4%. Eventos neurológicos associados à ativação de células imunes, conhecidos pela sigla ICANS, foram observados em 1,1% dos pacientes, sem registro de casos de grau 3 ou superior. Não houve eventos fatais de síndrome de liberação de citocinas ou ICANS.
Os resultados de segurança fazem parte da avaliação necessária para compreender como a combinação pode ser utilizada na prática clínica, considerando tanto os benefícios observados quanto os riscos associados ao tratamento.
“São resultados expressivos para uma doença historicamente difícil de tratar. A combinação exige acompanhamento especializado pelos possíveis efeitos adversos, mas representa um avanço importante e reforça a necessidade de transformar a pesquisa em acesso ao tratamento”, acrescenta Mariana Laloni.
O estudo DeLLphi-305 representa um avanço na investigação de estratégias de manutenção para pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio extenso. A melhora da sobrevida global, acompanhada de resultados favoráveis no controle da doença, sustenta o potencial da combinação de tarlatamabe e durvalumabe como uma nova opção terapêutica nesse cenário.
“A apresentação na sessão presidencial da ESMO também demonstra a relevância que a comunidade científica atribui a esses resultados. Ela reúne um número restrito de estudos selecionados pelo potencial de impacto na prática oncológica. É um reconhecimento importante para uma pesquisa que traz evidências de que a combinação pode ampliar os benefícios da imunoterapia em uma doença que continua sendo um grande desafio para a oncologia”, conclui Raphael Parmeggiani.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em 136 unidades em 47 cidades, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.750 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 537 mil tratamentos nos últimos 12 meses.
Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. A companhia mantém iniciativas globais, como a Boston Lighthouse Innovation, nos Estados Unidos. Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade.
Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.
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Seu diferencial está na integração entre tecnologia de ponta, expertise médica multidisciplinar e um dos maiores biobancos dedicados a doenças raras do mundo, reunindo dados clínicos e genéticos de mais de 1 milhão de indivíduos de diferentes origens populacionais. Esse ecossistema único permite ampliar o conhecimento sobre doenças genéticas, acelerar diagnósticos e contribuir para o desenvolvimento de novas terapias e abordagens de medicina de precisão.
Além de sua reconhecida atuação em doenças raras, a CENTOGENE possui um portfólio abrangente de testes genéticos voltados para áreas estratégicas da medicina moderna, incluindo neurologia, oncologia e reprodução humana.
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