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Novos critérios diagnósticos revolucionam o tratamento do ceratocone

Doença ocular ganha abordagem multimodal que combina diferentes tecnologias de imagem. Objetivo é identificar alterações precocemente, antes mesmo de o paciente notar qualquer sintoma

close-up lateral de olho humano mostrando córnea, esclera, cílios e pele ao redor

Imagem: Magnific

10 de Novembro é o Dia Mundial do Ceratocone, doença ocular causada pela combinação de fatores hereditários, ambientais e comportamentais. A principal característica é o afinamento e a deformação progressiva da córnea, camada transparente localizada na frente do olho, que perde a forma arredondada e passa a ficar parecida com um cone. Os principais sintomas são: visão embaçada, distorcida ou dupla; mudanças frequentes no grau de miopia ou astigmatismo; sensibilidade à luz; dificuldade na visão noturna; coceira e irritação ocular; dores de cabeça.

As diretrizes para o diagnóstico e manejo da doença ocular ganharam uma abordagem médica mais precisa no 2º Consenso Global de Ceratocone e Doenças Ectásicas da Córnea, publicado oficialmente em julho de 2026 na revista científica Cornea.

O documento internacional de oftalmologia, elaborado por 12 sociedades médicas de diferentes continentes, definiu novos critérios multimodais para que as alterações no olho sejam identificadas de forma precoce, priorizando o tratamento individualizado.

Dr. Luiz Brito, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One, explica que “o diagnóstico deixou de focar apenas na “superfície” do olho e passou a ser tridimensional e funcional (multimodal). Além de olhar o formato, os médicos agora combinam tecnologias avançadas de imagem — como tomografia de alta precisão e análise biomecânica — para medir a elasticidade e a resistência da córnea. O foco está em descobrir a doença antes mesmo de o paciente notar qualquer sintoma”.

De acordo com o médico, o tratamento varia conforme o avanço da condição:

Ceratocone leve: óculos em geral são suficientes;

Ceratocone leve a avançado: lentes de contato rígidas (corneanas ou esclerais) garantem boa visão ao paciente;

Ceratocone moderado a avançado: implante de anéis intracorneanos para regularizar o formato da córnea e melhorar a correção visual com óculos ou lentes. Não impede a progressão da doença;

Ceratocone em progressão: o procedimento de crosslinking corneano é indicado para estabilizar a doença, com taxa de sucesso altíssima em cones leves a moderados;

Ceratocone avançado: pode ser realizado um transplante de córnea, de preferência um transplante tipo DALK (transplante lamelar anterior) em que são substituídas apenas as camadas danificadas e que apresenta uma taxa de rejeição menor.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, a cada ano, cerca de 150 mil brasileiros desenvolvem ceratocone, o que reforça a urgência da conscientização e do diagnóstico precoce. A condição se manifesta principalmente em adolescentes e jovens adultos, na faixa dos 10 aos 25 anos e pode progredir até os 35, idade em que a córnea costuma se estabilizar.

O especialista alerta que embora o ceratocone tenha relação com a hereditariedade, um dos principais fatores de risco é o hábito frequente de coçar os olhos. A fricção mecânica constante enfraquece e danifica as fibras de colágeno da córnea, acelerando a progressão da doença. “É muito importante que pessoas com quadros alérgicos façam tratamento rigoroso e evitem ao máximo esfregar os olhos. Outro cuidado é realizar consultas periódicas com o oftalmologista, para garantir a identificação precoce”, finaliza Dr. Luiz Brito.

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