Características dos produtos, rotina alimentar e fatores emocionais ajudam a entender por que algumas pessoas têm dificuldade de interromper o consumo

Um estudo com 1.760 adultos brasileiros, publicado em 2026 na revista Eating Behaviors, encontrou maior consumo de ultraprocessados entre participantes com sintomas de compulsão alimentar. O resultado chama atenção para uma situação frequente: a dificuldade de interromper o consumo de biscoitos, salgadinhos e outros produtos, mesmo quando a fome já passou. A pesquisa identificou uma associação entre os comportamentos, mas não estabeleceu uma relação de causa e efeito.
Para Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva da ARC Health Place, clínica especializada em saúde metabólica, emagrecimento e longevidade, o erro está em atribuir o comportamento apenas à falta de disciplina. “Ao investigar o consumo de biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e refrigerantes, precisamos considerar o apelo do sabor e a frequência com que substituem refeições. Também importa entender se a pessoa passa muitas horas sem comer e em quais situações sente dificuldade de parar. Atribuir tudo à falta de disciplina pode deixar sem cuidado os fatores que mantêm esse comportamento”, afirma.
O problema não está apenas no prato
Parte da explicação pode estar nas próprias características dos alimentos. Muitos ultraprocessados combinam sabores intensos, aromas e texturas que tornam seu consumo especialmente atraente. Em orientação publicada em abril de 2026, a Secretaria da Saúde do Paraná alertou que a composição nutricional desses produtos pode interferir na regulação da fome e da saciedade, favorecendo a ingestão excessiva.
Mas o que acontece fora da mesa também importa. Passar horas sem se alimentar adequadamente, manter horários irregulares e recorrer à comida em momentos de tensão são situações que precisam ser consideradas na avaliação. “Gostar de um alimento, sentir fome e perceber que não consegue parar são experiências diferentes. Há quem chegue ao jantar sem ter se alimentado adequadamente durante o dia. Em outros casos, comer aparece como uma tentativa de aliviar a tensão. Recomendar apenas que o paciente reduza as porções não responde a todas essas situações”, explica Lucas.
Essa distinção ajuda a entender por que duas pessoas podem consumir os mesmos alimentos e apresentar comportamentos diferentes. A investigação não deve se limitar ao que foi ingerido, mas também considerar a frequência dos episódios, as circunstâncias em que ocorrem e a relação do paciente com a alimentação.
Quando o exagero vira sinal de alerta
Comer mais do que o planejado em uma ocasião isolada não significa ter um transtorno alimentar. O sinal de atenção surge quando os episódios se repetem e são acompanhados da sensação de não conseguir parar, mesmo diante do desconforto, além de sentimentos como culpa, vergonha ou sofrimento após as refeições.
Nessas situações, a avaliação pode envolver profissionais de medicina, nutrição e psicologia. O objetivo é identificar possíveis alterações no comportamento alimentar e construir estratégias que considerem tanto a saúde quanto as condições reais da rotina.
Rezende defende que o cuidado não pode se resumir à retirada de alimentos do cardápio. “Precisamos saber o que o paciente consegue comprar, preparar e levar para o trabalho. Se ele depende de opções prontas por falta de tempo ou acesso, uma lista de proibições não resolve o problema. O tratamento deve oferecer alternativas viáveis e acompanhar os episódios de descontrole, mesmo quando ainda não há mudança perceptível no peso.”, destaca.
Sobre Lucas Rezende
Lucas Rezende é médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e emagrecimento. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas.
Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
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Sobre a ARC Health Place
A ARC Health Place é uma clínica médica de São Paulo especializada em medicina preventiva, saúde metabólica, emagrecimento e longevidade. Seu modelo de atendimento reúne médicos, nutricionistas e outros profissionais em uma abordagem integrada, que combina avaliação clínica, exames laboratoriais, tecnologia e acompanhamento contínuo para construir estratégias de cuidado personalizadas.
A clínica tem como diferencial a investigação aprofundada dos fatores que influenciam a saúde ao longo da vida, permitindo identificar riscos antes do aparecimento de doenças e acompanhar o paciente de forma contínua. Com foco na prevenção e na medicina baseada em evidências, a ARC Health Place desenvolve protocolos individualizados voltados à promoção da saúde, ao envelhecimento saudável e à melhoria da qualidade de vida.
Fontes de Pesquisa
PubMed e revista Eating Behaviors. Ultra-processed food consumption and eating disorder symptoms: Cross-sectional associations among Brazilian adults. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41759395/
Secretaria da Saúde do Paraná. Bons hábitos alimentares e estilo de vida são fundamentais para prevenir a hipertensão.https://www.saude.pr.gov.br/Noticia/Bons-habitos-alimentares-e-estilo-de-vida-sao-fundamentais-para-prevenir-hipertensao
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Página oficial do Dia Mundial da Alimentação 2026.https://www.fao.org/world-food-day/en
