A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno já na primeira hora de vida (iniciando o contato pele a pele), exclusivo e em livre-demanda até o sexto mês, estendido até dois anos ou mais. E essa é a linha seguida pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Não custa reforçar que apenas o leite materno – ou, em último caso, a fórmula – deve ser oferecido até os 6 meses.

Ou seja, nada de leite de vaca, muito menos engrossado ou acrescido de açúcar. Se você precisa retornar ao trabalho, retire o leite antes para o bebê tomar no decorrer do dia. Para que não restem dúvidas de que tanta dedicação compensa, confira cinco bons argumentos para insistir nas mamadas do seu filho:

1- O leite materno fornece anticorpos para o bebê.

2 – Tem todos os nutrientes para um desenvolvimento adequado.

3 – Tem prebióticos, fibras que, no intestino, servem de alimento para bactérias benéficas, reforçando a flora natural. Isso melhora o ritmo de evacuação do bebê e dá uma força para o sistema imunológico.

Sobre esse tema, um trabalho de pesquisadores na Suíça mostrou a importância do aleitamento materno na formação da flora intestinal dos bebês. Dentro do útero, o intestino do feto é estéril e vai criando sua flora bacteriana de acordo com os contatos com o mundo exterior, através, principalmente, da sua alimentação. Crianças em Aleitamento Materno Exclusivo (AME) demonstravam em sua flora “boas bactérias” (Bifidobactérias, entre outras) que estavam presentes no organismo da mãe (em sua flora intestinal) e que foram passadas através do leite materno. Uma boa flora bacteriana, além de ser importante para uma boa digestão, favorece, segundo estudos recentes, o desenvolvimento da imunidade do bebê.

4 – O ato de sugar fortalece os lábios e a língua e favorece a deglutição.

5 – Ajuda a prevenir diabetes e obesidade.

Uma pesquisa da Universidade de Okayama (Japão), com 43.367 crianças em idade pré-escolar, revelou que as que foram amamentadas tiveram menos tendência ao sobrepeso. “Mamar promove discernimento sobre a quantidade de leite consumida, o que aprimora a autorregulação da saciedade. Sem contar que o leite materno contém substâncias que controlam o depósito de gorduras no corpo”, explica a autora do estudo, Michiyo Yamakawa.

Força do hábito
Nem sempre o bebê aceita, de cara, o peito da mãe. É preciso treino. Para aprender técnicas de antemão, consulte um pediatra na gravidez ou frequente um curso de gestantes. Se estiver com pouco leite, beber muita água pode ajudar. E relaxe: a maioria dos casos em que o leite seca está relacionada a um grande trauma ou estresse.

Hora de desmamar
Aos poucos, o corpo deixa de produzir leite e a criança tende a parar de pedir o peito. Caso contrário, a amamentação pode seguir até os 2 anos, em quantidades cada vez menores, já que as refeições sólidas suprirão a maior parte das necessidades nutricionais.

Após a introdução de alimentos, pode-se limitar as mamadas a três por dia: manhã, tarde e noite. Depois de alguns meses, a noturna passa a ser suficiente e ajuda a adormecer.

O desmame não tem data marcada e depende do ritmo de cada mãe e bebê. Se você teme que o processo seja traumático, saiba que ele é natural e não irá prejudicar a relação de afeto com o seu filho.

Você sabia?
O paladar do bebê é muito sensível ao sabor do leite materno e pode recusá-lo quando a mulher consome grande quantidade de álcool, exagera no sal ou tem mudanças bruscas na alimentação. Já o açúcar é muito apreciado pelas crianças. Por isso, cuidado! Não abuse de doces, ou o paladar de seu filho se acostumará desde cedo com esse tipo de alimento.