São Paulo, agosto de 2019 – A fibrilação atrial (FA), é o tipo de arritmia cardíaca mais comum do mundo2 e leva o coração a bater em um ritmo irregular e descompassado que pode aumentar em cinco vezes o risco de acidente vascular cerebral (AVC)2. A doença é mais comum em adultos, – atingindo principalmente pessoas na faixa dos 65 aos 85 anos2. Porém, adolescentes e jovens adultos estão sendo acometidos pela FA, principalmente por conta do consumo excessivo de cafeína1 e de bebidas alcoólicas.

Uma das substâncias psicoativas mais populares na atualidade, a cafeína, pode ser encontrada em grande quantidade nas bebidas energéticas, em folhas de chás, grãos de café, cacau, entre outros. “Uma vez ingerida, pode estimular o sistema nervoso central e periférico por meio de uma propriedade dopaminérgica, também conhecida como neurotransmissora do prazer1. Por isso, a relação entre a substância e os jovens é preocupante. O consumo da cafeína pode proporcionar uma euforia momentânea, mas que dependendo da quantidade e frequência do consumo, pode aumentar o risco de doenças como a FA”, conta o o cardiologista Dr. Marcelo Goulart Paiva.

Em um adulto saudável, por exemplo, a cada 2,5 a 10 horas o organismo elimina metade da cafeína encontrada no sangue. A população no geral tem sensibilidade que varia de indivíduo para indivíduo quanto aos seus estimulantes1. Dessa forma, com a crescente popularidade das bebidas energéticas entre os jovens, os médicos devem estar cientes do potencial arritmogênico ligado ao seu consumo.

“Além do consumo de cafeína, a FA em jovens também está relacionada a outros fatores como a ingestão de bebidas alcoólicas, principalmente durante os finais de semana. É o que chamamos de ‘fibrilação atrial do feriado’. Outro ponto é a obesidade, pois ela está associada com um aumento de gordura epicárdica, que é um depósito de gordura visceral, localizado entre o coração e o pericárdio, com potencial implicação na saúde cardiovascular”3, complementa o médico. A idade, problemas cardíacos, hipertensão, doenças crônicas – diabetes, insuficiência renal ou doença pulmonar –, e histórico familiar4 também podem estar relacionados ao desenvolvimento da FA.

No Brasil, ainda há um fator que contribui para o diagnóstico tardio e, consequentemente, para a falta de tratamento adequado: o desconhecimento da doença pela população. De acordo com a pesquisa “A Percepção do Brasileiro sobre Doenças Cardiovasculares”, encomendada pela Boehringer Ingelheim em parceria com o IBOPE CONECTA5, 66% das pessoas entrevistadas conhecem as doenças cardiovasculares, como o AVC, segunda causa mais comum de morte no mundo6-7e uma das principais causas de incapacidade adquirida e internações em todo o mundo8. Porém, 63% nunca ouviram falar sobre a fibrilação atrial, doença cujo tratamento é essencial para redizuir o risco de AVC isquêmico e suas possíveis sequelas.

Assim como na grande maioria das doenças, o diagnóstico precoce de FA é um forte aliado do paciente para evitar complicações. “Basicamente, o tratamento age em três frentes: reverter a FA, controlar a frequência cardíaca e impedir a formação de coágulos dentro dos átrios9. E parte deste tratamento consiste no uso de medicamentos para “afinar” o sangue – os chamados “anticoagulantes, responsáveis por reduzir o risco de AVC”, finaliza o Dr. Marcelo.”,

Muitos dos AVCs relacionados à FA podem ser evitados com medicação anticoagulante adequada. O etexilato de dabigatrana, por exemplo, é um inibidor direto da trombina (DTI), enzima-chave da coagulação, usado tanto para prevenção como para o tratamento de doenças tromboembólicas agudas e crônicas10. A pesquisa “A Percepção do Brasileiro sobre Doenças Cardiovasculares”5 revelou também que 47% dos entrevistados com FA não fazem uso de medicação anticoagulante, ficando mais expostos às complicações da doença.

“Este dado pode ser justificado devido à preocupação da classe médica com sangramentos, um dos principais efeitos colaterais dos anticoagulantes”, conta o cardiologista. Porém, já existe um agente reversor de efeito imediato e momentâneo, que age especificamente revertendo a ação de dabigatrana. Segundo o médico, o seu uso é exclusivamente hospitalar. “Trata-se de um medicamento destinado a cirurgias emergenciais ou caso de sangramentos incontroláveis que podem ser ocasionados por acidentes”, finaliza.

Já para prevenir a doença, seja ela em jovens ou idosos, uma recomendação muito importante está relacionada à mudança de estilo de vida. É necessário controlar a hipertensão arterial e os níveis de colesterol, tratar outras doenças cardíacas, fazer uma reeducação alimentar, evitar o consumo exagerado de cafeína, praticar atividades física frequentemente, interromper o tabagismo e restringir o consumo de álcool9.

Referências

  1. R Di Rocco, Jennifer; During, Adelaide; J Morelli, Peter; Heyden, Marybeth; A Biancaniello, Thomas. Journal of Medical Case Reports. Atrial fibrillation in healthy adolescents after highly caffeinated beverage consumption: two case reports. jmedicalcasereports.biomedcentral.com/articles/10.1186/1752-1947-5-18
  2. Zimerman LI, Fenelon G, Martinelli Filho M, Grupi C, Atié J, Lorga Filho A, et al; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes brasileiras de fibrilação atrial. Arq Bras Cardiol. 2009;92(6 supl 1):1-39. Disponível em <publicacoes.cardiol.br/consenso/2009/diretriz_fa_92supl01.pdf> – acesso em: 03 de maio de 2018
  3. Pesquisa “A Percepção dos Brasileiros sobre Doenças Cardiovasculares”. Coleta de Dados pelo IBOPE CONECTA em parceria com a Boehringer Ingelheim. Análise de Dados feita pela Edelman.
  4. Lozano R, et al. Lancet 2012;380:2095-2128.
  5. Hankey G. Lancet 2013;1:e239-e240.
  6. Site do Ministério da Saúde. Disponpivel em www.saude.gov.br/saude-de-a-z/acidente-vascular-cerebral-avc. Último acesso em 04 de julho de 2019.
  7. Site da Boehringer do Brasil. Disponível em www.boehringer-ingelheim.com.br/sites/br/files/infographics/guia_do_paciente_final.pdf. Acessado em 14 de junho de 2019.
  8. Stangier J. Clinical pharmacokinetics and pharmacodynamics of the oral direct thrombin inhibitor dabigatran etexilate. Clin Pharmacokinet. 2008;47(5):285–95.
  1. Bertaso, Angela Gallina, Bertol, Daniela, Duncan, Bruce Bartholow, & Foppa, Murilo. (2013). Gordura epicárdica: definição, medidas e revisão sistemática dos principais desfechos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 101(1), e18-e28. dx.doi.org/10.5935/abc.20130138
  2. Atrial Fibrillation Fact Sheet, National Heart Blood and Lung Institute Diseases and conditions Index, October 2009. Disponível em www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/af. Último acesso em 18 de setembro de 2017.

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