Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a asma atinge cerca de 235 milhões de pessoas em todo o planeta. Só no Brasil, a doença afeta aproximadamente 20% das crianças e adolescentes.²

De acordo com Dr Pedro Bianchi, Professor Livre Docente Associado da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP, presidente da ASBAI Regional São Paulo, tosse, falta de ar, chiado no peito e despertar noturno são alguns dos sintomas da asma. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas e uma das grandes causadoras de mortes no Brasil.

De acordo com pesquisa do Datasus, realizada em agosto de 2018, uma pessoa morre a cada 18 horas em decorrência da asma no País¹“Todas estas mortes são evitáveis. Os pacientes de asma devem deixar de lado o conformismo com a sua doença e irem em busca de uma vida normal. Para isso, é preciso consultar um alergologista ou pneumologista para saber quais medicamentos é necessário tomar”, acrescenta.

A asma pode ser classificada como leve, moderada e grave. E sua gravidade é definida de acordo com a carga medicamentosa que a pessoa precisa usar para controlar a doença e, para isso, é preciso que se estabeleça uma comunicação clara e assertiva entre médico e paciente.

asma grave afeta entre 5% e 10% da comunidade asmática e pode levar a procura 15 vezes maior aos prontos-socorros do que nas outras categorias, além de 20 vezes mais casos de hospitalização³. A asma é considerada grave quando requer doses altas de corticoide inalatório e broncodilatadores de longa ação (LABA), ou corticoide sistêmico. Também é grave a asma que permanece não controlada apesar dos tratamentos indicados pelo especialista: o paciente continua com sintomas, tem exacerbações, hospitalizações, necessita uso de corticoide sistêmico (mais que três vezes por ano) e tem função pulmonar anormal.

Pacientes que fazem o tratamento de forma correta devem levar uma vida normal. Por isso, é importante que o paciente relate sempre se está com sintomas de asma e como eles estão afetando sua vida. O especialista buscará a exclusão de diversos fatores que podem confundir a real causa dos sintomas do paciente para ter certeza de que é realmente necessário fazer ajuste no tratamento da doença.

“Muitos pacientes acreditam que, por terem asma, é normal sentir sintomas, mesmo fazendo o tratamento. Acreditam também que a doença prejudica a prática de alguns esportes, como a corrida. Mas isso não é verdade. Quem está realizando o tratamento de forma correta deve viver uma vida completamente normal”, afirma Bianchi.

É importante ressaltar que os pacientes que não aderem corretamente ao tratamento apresentam maior risco de crises de asma. Infelizmente algumas crises podem ser fatais.

Os imunobiológicos são medicamentos de última geração e são aliados no combate à Asma grave, apresentando bons resultados no tratamento da doença.

Entre os dias 30 de agosto e 18 de setembro estará aberta uma consulta pública para saber a opinião da população a respeito da incorporação de um medicamento biológico para o tratamento da asma grave no SUS, o Omalizumabe. Se a consulta pública tiver uma boa participação popular, os pacientes com asma grave poderão ser beneficiados e terem acesso a esse medicamento. (conitec.gov.br/consultas-publicas).

Sua asma está controlada?

Como disse Bianchi, asma controlada é sinônimo de vida normal, sem nenhum sintoma característico da doença. No entanto, muitas vezes é difícil que o paciente identifique a ausência ou não de indícios como os da asma. Para ajudar nesta percepção, a Iniciativa Global Contra a Asma (GINA) desenvolveu um simples questionário com quatro perguntas que devem ser respondidas com “sim” ou “não”. Se a resposta para qualquer uma delas for a primeira alternativa, significa que a pessoa não está com a doença controlada4,5. Neste caso, é muito importante buscar um pneumologista ou alergologista para ajudar a controlar a doença.

O questionário pode ser acessado aqui.

  1. Datasus – Agosto 2018.
  2. Organização Mundial de Saúde, 2017.
  3. Jardim Jr. Pharmacological Economics and Asthma Treatment. J Bras Pneumol 2007; 3:31
  4. Site do National Heart, Lung, and Blood Institure (NHLBI) do National Institutes of Health. Disponível em: www.nhlbi.nih.gov/health-topics/asthma#Diagnosis. Último acesso em novembro de 2018.
  5. Site do National Heart, Lung, and Blood Institure (NHLBI) do National Institutes of Health. Disponível em: www.nhlbi.nih.gov/health-topics/asthma#Signs,-Symptoms,-and-Complications. Último acesso em novembro de 2018.