São Paulo, 26 de dezembro de 2019 – Segundo Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), há atualmente no Brasil 230 milhões de smartphones ativos. O número é superior ao de habitantes que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em 210 milhões.

A psicóloga infantil do Seconci -SP (Serviço Social da Construção), Niusa Paiva Barreira, comenta que a popularização dos smartphones trouxe benefícios positivos, como o fácil acesso às informações e a possibilidade de comunicação com pessoas que estão distantes. “Contudo, principalmente entre as crianças e adolescentes, o uso destes equipamentos precisa ser regulado para não se tornar um transtorno”, comenta.

Segunda a especialista, os pais precisam estar atentos desde cedo para que os filhos não tornem o uso do celular uma compulsão, prejudicando o convívio social e suas tarefas diárias.

“A faixa etária em que cada criança deve começar a usar estes dispositivos móveis deve ser determinada pelo responsável. Contudo, é primordial que os pais estabeleçam desde muito cedo limites para a utilização”, recomenda a psicóloga.

A coordenadora do Serviço Social do Seconci-SP, Ângela Nogueira Braga da Silva, corrobora a afirmação da psicóloga e destaca que ao estabelecer limites desde cedo para o uso destes equipamentos, os pais estão mitigando a possibilidade do surgimento de outros problemas recorrentes entre os jovens: o isolamento social e a ansiedade causada pelo uso inadequado do aparelho.

A psicóloga salienta que os adultos precisam ser indutores de boas práticas, isso porque não adianta proibir o filho de usar o celular durante o jantar, por exemplo, se os pais estão conectados à internet o tempo todo. “O ideal é estabelecer um horário para utilização e os pais também respeitarem esta regra”.

A especialista destaca ainda que é importante sempre oferecer uma alternativa prazerosa à criança que faça com que ela opte por desconectar do celular. “Opções de lazer e esportes, atividades ao ar livre e artísticas são ferramentas poderosas neste processo e que, na maioria das vezes, têm boa aceitação entre os jovens”.

A psicóloga pondera a importância de se observar também a conduta dos filhos, isso porque mudanças bruscas de comportamento podem ser sinais de distúrbios mais sérios e indícios de que o jovem precisa de ajuda profissional.