As redes sociais já fazem parte da nossa rotina. Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, WhatsApp… A lista é grande e a maioria das pessoas tem conta em mais de um aplicativo. As notícias, fotos e vídeos chegam por todos os lados e a qualquer hora. Além disso, alguns destes apps já se tornaram ferramenta de trabalho.

E quando essa quantidade exagerada de notificações e informações tira o foco de coisas essencialmente importantes, como o trabalho e os estudos, surge uma importante questão: é possível manter o foco, atender a clientes e responder mensagens sem comprometer a produtividade no final do expediente?

“As redes sociais são tomadoras de tempo e de foco. As mensagens chegam sem parar, o celular vibra ou toca, e há uma curiosidade natural do ser humano de querer ler a notícia e checar a notificação na hora. Cada vez que você olha as redes sociais durante um trabalho, estudo ou momento em que deveria estar focado em outra coisa, a sua produtividade despenca demasiadamente”, explica Diego Alves, psicólogo e consultor da CPD Consultoria Empresarial.

Para se ter uma ideia da consequência disso, uma pesquisa publicada na Universidade da Califórnia constatou que as pessoas levam 23 minutos e 15 segundos, em média, para retornar ao que estavam fazendo depois de serem interrompidas.

“Aquela olhadinha rápida nas redes sociais que todos nós fazemos atrapalha, e muito, a nossa atenção. Cada vez que você interrompe uma atividade para acessar as redes sociais, seu cérebro demora mais de 20 minutos para reajustar o foco na atividade. Isso é muito tempo”, afirma o psicólogo.

Por outro lado, é cada vez mais comum no meio corporativo utilizar as redes sociais, principalmente o WhatsApp, como ferramenta de trabalho. O aplicativo é considerado a principal fonte de informação para 79% das pessoas, segundo uma pesquisa recente realizada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados.

Com mais de 136 milhões de usuários no país, o app de mensagens gratuitas é a plataforma mais popular. Depois vem o YouTube (49%), Facebook (44%), sites de notícias (38%), Instagram (30%) e Twitter (7%).

Como fazer então para conciliar o trabalho e a vida social virtual?

Para o psicólogo, quem trabalha com o WhatsApp deve ter uma conta pessoal e outra para o trabalho (WhatsApp Business). “As notificações dos amigos e familiares ficam no seu aplicativo pessoal e você tira um tempo do dia para ver. Se você olha as redes sociais enquanto está trabalhando vai desgastar sua produtividade, que poderia ser aproveitada para gerar mais e melhores resultados”, explica Diego.

Para o psicólogo, o ideal é verificar as redes sociais em períodos específicos, por exemplo, no fim do expediente – horário que você não é mais tão produtivo – ou a cada 2 horas. Na verdade, é bom fazer uma pequena pausa durante o trabalho constante. Use esse momento para uma breve espiadinha no mundo virtual e depois volte para o foco inicial”, orienta Diego.

Segundo o profissional, a melhor alternativa é delimitar o espaço e tempo de cada coisa, ou seja, planejar sua gestão do tempo com a sua rotina.

“Os hábitos são os comportamentos que reforçamos várias vezes até que se tornem automáticos. Na psicologia, o método de criar hábito é conhecido como ‘modelagem’ e a gestão do tempo pode e deve ser modelada para garantir mais qualidade de vida”, diz.

Diego ressalta a importância de selecionar momentos para levantar as demandas virtuais sempre conciliando com o trabalho, estudo e atividades do dia a dia.

“Separe, por meio da sua agenda, relógio ou algum aplicativo de tempo, todos os seus horários e demandas do seu dia, semana e mês. Com o tempo, essa divisão se tornará um hábito e seu corpo estará acostumado a ela, consequentemente você sentirá mais bem-estar”, diz o psicólogo.

Um exemplo prático: se você entra no serviço às 9h, pode marcar de trabalhar das 9h às 11h sem interrupções, guardando o celular em um lugar afastado – mochila ou um armário – e agendando um tempo para acessá-lo, das 11h às 11h30. Essa atitude educará seu cérebro na contramão do imediatismo, promovendo um hábito saudável e mais tranquilo.

“É óbvio que uma vez ou outra cairemos na ‘armadilha’ das redes sociais, e assim, sem esperar, nos pegaremos por longos minutos espionando algum influenciador digital. Isso é normal, somos humanos. O importante é não desistir, retomar a disciplina e seguir sua agenda”, finaliza Diego.

Diego Alves – Psicólogo (CPD)