O Caminho de Santiago é para todos

por Ricardo Rangel
Divulgação/Ricardo Rangel

O Caminho de Santiago é visto com frequência como um projeto religioso, místico, hippie, ou coisa parecida. Mas ele não é isso — ou, ao menos, não o é para a maioria das pessoas, que o percorrem por motivos bem mais mundanos.

Há quem o faça pelo desafio físico, pela aventura, para estar com contato com a Natureza, para fazer algo diferente de tudo, para dar uma pausa completa na vida, para relaxar, para pensar, para encontrar gente.

Um os melhores motivos para percorrer o Caminho de Santiago, a pé ou de carro, é o turismo puro e simples. O Caminho atravessa algumas das regiões mais ricas da Espanha do ponto de vista cultural, histórico, arquitetônico, gastronômico, humano.

Duas das principais cidades da Espanha, Burgos e León, com suas fabulosas catedrais, estão lá, e em Burgos está o fascinante Museo de la Evolucion Humana, que contém os achados do sítio antropológico de Atapuerca.

Pamplona, imortalizada por Hemingway em O Sol também se levanta, é uma das cidades mais alegres e coloridas da Espanha. Logroño, capital de La Rioja, é uma excelente base para se conhecer os maravilhosos vinhos e vinícolas da região.

O Cebreiro, com seu clima quase sempre frio e ventoso e sua pequena igreja do século IX, apresenta uma paisagem totalmente diferente de tudo. De lá, chega-se à Galícia, com suas chuvas e seus frutos do mar.

Santiago de Compostela é um caso à parte. Cidade medieval, lindíssima, tem uma atmosfera muito particular, a um tempo solene e imponente por sua arquitetura, mas leve, descontraída e colorida pela presença dos peregrinos e também dos estudantes, já que é uma cidade universitária.

Para quem gosta de vinhos, há Rioja, claro, mas há também Navarra, Bierzo, e a Galícia — e Ribera del Duero fica a meros 70 quilômetros de Burgos. Para comer, há tapas — que podem ser tapas, pinchos (ou pinxos), canapés e montaditos. E a coxa de pato confit do país basco; o lechazo (cordeiro de leite) asado de Castilla; o cocido maragato de Astorga; o polvo da Galícia; e, claro, a torta de Santiago. E muito mais!

Ninguém é obrigado a caminhar, nem muito menos a dormir em albergues coletivos: há acomodações para todos os bolsos. Os “Paradores de Espanha” são hotéis instalados em prédios antigos de grande valor histórico e artístico, e há nada menos do que cinco deles ao longo do Caminho, sendo os dois mais extraordinários o de León e o de Santiago.

Há hotéis tradicionais, como o estupendo Gran Hotel La Perla, em Pamplona, ou ultra-modernos, como o espetacular Hotel da Bodega Marqués de Riscal, projetado por Frank Gehry, no coração da Rioja. Há “casas rurales”, pequenas pousadas rurais, algumas extremamente charmosas. E, por toda parte, hotéis comuns, simples e baratos, mas confortáveis.

Para quem se anima, o Caminho, no seu sentido tradicional, de viagem a pé, oferece um tipo de turismo muito particular e diferente de tudo. A pé, o tempo passa em velocidade diferente. Veem-se paisagens que nunca se veriam.

E a riqueza humana é insuperável. Há gente de todos os tipos, classes e nacionalidades. Não há lugar onde se façam amizades tão intensas. E, se você quiser encarar o albergue, então, ainda mais intensa será a experiência.

Seja que tipo de turista for, o Caminho de Santiago tem algo de muito especial reservado para você.

Ricardo Rangel é escritor, jornalista, e acaba de lançar O Caminho é o Destino — Uma Crônica do Caminho de Santiago, sobre sua jornada de quase 900 km pelo norte da Espanha.

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