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Fabrício Taveira investe em treinos pesados após ser impedido de ir para o Estados Unidos

Frustração é um sentimento que não combina com o espírito esportivo e motivado do paratleta barretense Fabrício Taveira, no entanto, ele confessa que no final de 2021 foi invadido por esse sentimento, de frustração, ao ter, por duas vezes, seu visto de ingresso nos Estados Unidos negado pela embaixada americana no Brasil, o que o impossibilitou de participar da competição mundial de crossfit Wodapalooza.

“Treinei forte para estar à altura dos atletas do mundo todo que participam do evento, que começa essa semana, mas fui impedido por essa questão burocrática. Encaminhei a documentação, fiz por duas vezes a entrevista, mas nada de convencer a embaixada de que não quero fazer vida nos Estados Unidos como imigrante ilegal, só quero competir e voltar com os prêmios que conquistar. Foi frustrante, não nego”, explica Fabrício.

O período de retorno dos altos índices de contaminação por Covid-19 no país, com a presença da nova variante Ômicron, também podem ter contribuído para a negativa do visto, mas a embaixada dos Estados Unidos se restringiu a encaminhar a carta padrão informando a não autorização do visto, sem outras justificativas.

Fabrício explica que o dinheiro arrecada na Vakinha aberta pelos amigos para conseguir fundos para a viagem foi todo utilizado no pagamento de taxas e despesas de viagens para conquista do visto. “Arrecadei R$ 6.976,00 tive que pagar taxas por duas vezes, portanto só nisso foram R$ 4.100,00 fiz entrevistas na embaixada de São Paulo e na embaixada do Rio de Janeiro e investi com passagens, traslado e hospedagem, outros R$5.800,00 ou seja, a conta não fechou, precisei recorrer à família para completar os gastos, pois tinha esperança na aprovação, mas ela não veio”, conta o paratleta.

Outra forma de viabilizar a viagem foi o acordo comercial com patrocinadores e a ajuda de custo anunciada pela Prefeitura de Barretos, no entanto, como não conseguiu viabilizar o visto, Fabrício nem chegou a solicitar a verba junto às empresas e ao município.

“Posso perder uma competição, posso não conseguir o visto, pois isso faz parte da jornada de um atleta, o que não posso é perder a confiança das pessoas, empresas e instituições que acreditam em mim, por isso, essa coisa de prestar contas de tudo o que recebo é para mim um compromisso muito sério. Tenho poucos patrocinadores constantes, agradeço a cada um deles, e por eles, pelo público que me apoia e pela minha família, não vou desistir do esporte. A frustração durou um dia, no dia seguinte já estava treinando e foi assim que entrei em 2022, dando o melhor de mim”, diz um atleta que serve de inspiração a todos.

Fabrício Taveira segue a rotina de treinos no crossfit, sessões de fisioterapia, natação e continua dando aulas como personal trainning e instrutor de box. Uma agenda que ainda concilia convites para entrevistas e fotos, e que a partir deste ano terá dias dedicado a ministrar palestras. “Gosto de falar com as pessoas e para as pessoas, gosto de contar minha história para que, quem sabe, eu possa inspirar outros a acreditarem no seu potencial. Ajudar as pessoas a entenderem que as frustrações fazem parte do caminho de qualquer um, que tudo o que eu passei e passo só serve para me motivar a seguir em frente. Sempre digo que não quero ser melhor que ninguém, apenas quero ser a minha melhor versão a cada dia. A briga é grande, mas é com os meus limites”, conclui.