Personalização, curadoria e tempo dedicado reposicionam produtos e serviços como ativos de alto valor e impulsionam uma nova geração de empreendedores no Brasil

Meg Getz é especialista em planejamento de viagens internacionais, com mais de 40 anos de experiência no setor de turismo
A economia criativa se consolida como um dos vetores mais dinâmicos da nova matriz econômica brasileira.
Em 2025, o país registrou a abertura de 4,6 milhões de pequenos negócios — sendo 77% deles Microempreendedores Individuais (MEI).
O movimento ajudou a sustentar o crescimento de 2,3% do PIB no período e sinaliza uma mudança estrutural: o valor deixou de estar apenas no produto e migrou para a experiência, a personalização e a curadoria.
Nesse cenário, profissionais que operam na interseção entre técnica, sensibilidade e estratégia passam a ocupar posições de destaque.
É o caso de Eder Galdino, que transformou a tatuagem em ativo de alto valor, e de Meg Getz, que reposiciona o turismo internacional com foco em planejamento e experiência.
Em comum, ambos traduzem um novo comportamento de consumo: menos volume, mais significado.
Eder Galdino: a tatuagem como ativo de valor e exportação cultural
Antes restrito a um nicho, o mercado de tatuagem hoje movimenta bilhões e cresce de forma consistente.
No Brasil, o setor girou cerca de R$ 2,5 bilhões em 2024, com expansão anual de dois dígitos.
Globalmente, a projeção é de quase triplicar até a próxima década.
Eder Galdino, fundador do Arkad Tattoo Studio, representa esse novo posicionamento.
Sua atuação vai além da execução técnica: ele opera como artista, consultor criativo e gestor de um produto altamente personalizado.“Hoje, o cliente não busca apenas um desenho. Ele busca uma assinatura artística, algo que represente sua identidade e tenha valor ao longo do tempo”, afirma.
Ao atender apenas um cliente por dia, com horas dedicadas a estudo anatômico, composição e simulação por inteligência artificial, Eder eleva a tatuagem ao território da arte autoral e, em muitos casos, ao de investimento simbólico e estético.
O resultado é direto: atração de clientes internacionais e consolidação da tatuagem como ativo de exportação cultural.
O Brasil deixa de ser apenas consumidor e passa a ser referência criativa nesse segmento.
Meg Getz: o turismo como estratégia e não mais improviso
No turismo, a transformação segue a mesma lógica. A ideia de “ver tudo” perde força para um modelo mais estratégico, onde tempo, conforto e experiência ganham protagonismo.
Com mais de 40 anos de atuação, Meg Getz acompanha de perto essa virada — especialmente entre brasileiros que viajam para os Estados Unidos.
A proximidade da Copa do Mundo FIFA 2026 acelera esse movimento.
O aumento da demanda por passagens e hospedagem, somado às distâncias entre cidades-sede, está forçando o viajante a repensar sua jornada. “Não faz mais sentido investir alto para assistir aos jogos e chegar ao destino sem planejamento do restante da viagem”, explica.
Cidades como Nova York e Filadélfia passam a ser utilizadas como bases estratégicas. Mais do que assistir aos jogos, o turista busca vivências que combinem lazer, cultura e bem-estar — com roteiros desenhados sob medida.
A viagem deixa de ser consumo e passa a ser projeto. E, como todo projeto bem executado, exige planejamento.
A convergência: quando experiência vira ativo
O ponto de conexão entre Eder e Meg é claro: ambos operam na economia da experiência.
São mercados distintos, mas com a mesma lógica de valor:
tempo dedicado, exclusividade, repertório e entrega personalizada.
A tecnologia aparece como aliada — seja na inteligência artificial aplicada ao design de tatuagens, seja no planejamento estratégico de viagens —, mas não substitui o fator central: o olhar humano.
O que se vê é uma mudança silenciosa, porém consistente. O consumidor não quer mais apenas comprar. Quer se reconhecer naquilo que consome.
E é nesse espaço — entre identidade e experiência — que a economia criativa cresce, se sofisticando e gerando novos modelos de negócio.
Menos escala, mais significado
A nova economia não gira apenas em torno de produção e volume. Ela se sustenta em narrativa, curadoria e conexão.
Negócios que entendem isso deixam de competir por preço e passam a competir por valor percebido.
E, no fim do dia, é isso que define os mercados mais fortes: não quem entrega mais. Mas, quem entrega melhor, com intenção e memória.
Sobre os especialistas
Eder Galdino é tatuador e artista visual, especialista em realismo preto e branco e fundador do Arkad Tattoo Studio. Premiado em edições da Tattoo Week — maior convenção de tatuagem da América Latina — desenvolve projetos autorais com foco em significado e personalização. Também atua como mentor de tatuadores que buscam aprimoramento técnico e atualização profissional, além de participar como jurado em competições e convenções da área.
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Meg Getz é especialista em planejamento de viagens internacionais, com mais de 40 anos de experiência no setor de turismo. Iniciou sua trajetória em 1979, no Rio de Janeiro, atuando no setor aéreo e posteriormente em gestão e operação de viagens.
Ao longo da carreira, passou por empresas como a Iberia Linhas Aéreas, onde ocupou posição de liderança na área comercial, além de empreender no setor de hospitalidade e atuar por duas décadas como operadora de turismo e organizadora de grupos no Brasil.
Com mais de 30 países visitados, acumulou experiência prática no planejamento de roteiros internacionais e no acompanhamento de viajantes em diferentes perfis e objetivos.
Atualmente, vive em Ohio, nos Estados Unidos, e é fundadora do projeto Viajando com Meg, onde atua com planejamento de viagens personalizadas para Nova York, desenvolvendo roteiros sob medida, otimizados e alinhados ao perfil de cada viajante, com foco em segurança, experiência e melhor aproveitamento de tempo e investimento.
Referências
[3] Mercado de Tatuagem no Brasil: Entenda o seu crescimento – Talge.
[4] Economia criativa em alta: como a tatuagem impulsiona turismo e renda em 2025 – Rede Alcateia.
