CIN e biometria impulsionam a governança digital e exigem equilíbrio entre inovação, segurança e acesso

A governança digital no Brasil avança de forma consistente, impulsionada pela digitalização de serviços públicos e pela adoção de novas tecnologias de identificação. A combinação entre identidade digital nacional e sistemas biométricos começa a redesenhar a forma como cidadãos acessam direitos, serviços e plataformas, com impactos diretos em segurança, eficiência e inclusão.
Seja para entrar em um condomínio, acessar o aplicativo Gov.br ou validar transações bancárias, os sistemas biométricos já fazem parte do cotidiano. Um relatório publicado nesta terça-feira (14) pela Aware,Inc. empresa especializada em soluções de identidade e autenticação biométrica, mostrou que o Brasil está acima da média global na adoção de biometria para prevenção de fraudes.
Segundo o estudo, 70,7% das organizações brasileiras utilizam biometria especificamente para combater fraudes de identidade, índice superior à média global, de 60%. Os sistemas biométricos registram características únicas, como impressões digitais, reconhecimento facial e padrões de voz, para autenticar identidades, além de incorporar, cada vez mais, elementos comportamentais, como forma de digitação e padrões de uso.
Esse movimento ganha escala com a implementação da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que já ultrapassa a marca de 45 milhões de emissões no país. Com número único baseado no CPF, QR Code de verificação e integração ao Gov.br, que já reúne mais de 173 milhões de usuários e dá acesso a milhares de serviços públicos, o documento reforça a confiabilidade na identificação dos cidadãos e simplifica o acesso a serviços digitais em diferentes esferas.
Como mostra análise publicada pelo Futurecom Digital, a unificação da identidade civil a partir do CPF representa um divisor de águas para o governo digital brasileiro. Ao integrar dados biométricos e permitir interoperabilidade entre estados e União, a CIN estabelece uma base mais robusta para autenticação segura e oferta de serviços públicos conectados.
A digitalização da identidade traz ganhos relevantes para a gestão pública. Ao reduzir fraudes e aumentar a precisão cadastral, o Estado melhora a entrega de políticas públicas e amplia a eficiência operacional. Ao mesmo tempo, a centralização de dados permite decisões mais assertivas e políticas mais direcionadas, especialmente em áreas como saúde, assistência social e segurança.
No entanto, esse avanço também traz desafios importantes, especialmente no campo da proteção de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece diretrizes rigorosas para o tratamento de informações pessoais, exigindo transparência, segurança e finalidade clara no uso desses dados. Em um contexto de biometria, considerada um dado sensível, o nível de exigência é ainda maior, especialmente diante de riscos como vazamentos e uso indevido de informações.
Outro ponto crítico é a inclusão digital. Embora o Brasil avance na digitalização, ainda há desigualdades relevantes no acesso à internet e a dispositivos. Afinal, milhões de brasileiros ainda enfrentam limitações de conectividade ou de letramento digital, o que pode dificultar o acesso pleno aos serviços públicos digitais. Garantir que essa transformação não aprofunde desigualdades é um dos principais desafios da agenda pública.
Nesse contexto, o setor privado desempenha um papel central. Empresas de tecnologia, telecomunicações e cibersegurança são responsáveis por desenvolver a infraestrutura que sustenta esses sistemas, além de impulsionar inovação em áreas como autenticação biométrica, proteção de dados e interoperabilidade entre plataformas.
Mais do que uma tendência, a identidade digital e os sistemas biométricos se consolidam como pilares da nova governança digital no Brasil. O desafio agora é equilibrar inovação, segurança e inclusão, garantindo que os avanços tecnológicos se traduzem, de fato, em melhores serviços e mais acesso para toda a população.
