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Conflito no Estreito de Ormuz pode afetar internet e sistema financeiro no Brasil, alerta especialista

Leonardo Cardoso, Diretor de Relações Institucionais da TI Safe – empresa pioneira em cibersegurança de infraestruturas críticas -, afirma que a dependência global dos cabos submarinos de fibra óptica pode provocar lentidão em transações bancárias, investimentos e pagamentos caso rotas digitais no Oriente Médio sejam comprometidas

Leonardo Cardoso, Diretor de Relações Institucionais da TI Safe
Crédito: TI Safe

Um eventual agravamento do conflito no Estreito de Ormuz pode provocar impactos que vão além da geopolítica e do petróleo, atingindo também a infraestrutura digital global e, consequentemente, o sistema financeiro brasileiro. A preocupação está relacionada aos cabos submarinos de fibra óptica que passam pelo Oriente Médio e sustentam cerca de 99% do tráfego mundial de internet.

Caso essas estruturas sejam comprometidas, o fluxo global de dados precisaria ser redirecionado para rotas alternativas, como o Mediterrâneo e a África, gerando aumento de latência — ou seja, maior tempo de resposta das conexões, afirma Leonardo Cardoso, Diretor de Relações Institucionais da TI Safe – empresa pioneira em cibersegurança de infraestruturas críticas. “O reflexo poderia chegar ao Brasil, especialmente pela conexão direta entre Fortaleza e a África, elevando a sobrecarga em redes já intensamente utilizadas”, diz.

Na prática, a lentidão poderia impactar operações financeiras sensíveis ao tempo de resposta, como pagamentos, liquidações bancárias, transferências e ordens de investimento. O cenário também pode ampliar riscos operacionais para bancos e instituições financeiras, com possíveis reflexos sobre custos e rentabilidade.

Embora sistemas de backup via satélite possam ser acionados em situações críticas, Leonardo alerta que a capacidade não seria suficiente para absorver a escala do tráfego global, além da possibilidade de priorização de usos militares em um cenário de conflito ampliado. “É preciso discutir a vulnerabilidade da infraestrutura digital global e os efeitos indiretos de crises geopolíticas sobre o cotidiano econômico dos brasileiros”, diz.

Além do mercado financeiro, outros setores altamente dependentes de conectividade internacional também poderiam sentir os reflexos de um eventual estrangulamento das rotas digitais. Plataformas de e-commerce, serviços em nuvem, videoconferências corporativas, logística internacional e até operações industriais integradas a sistemas globais poderiam sofrer instabilidades ou perda de desempenho. “Em um ambiente econômico cada vez mais digitalizado, mesmo pequenos atrasos no fluxo de dados podem gerar efeitos em cadeia sobre produtividade e tomada de decisões”, afirma o especialista.

O episódio também reacende um debate estratégico sobre a resiliência da infraestrutura digital mundial e o grau de dependência de poucos corredores internacionais de conectividade. “Crises geopolíticas demonstram que a internet global, embora pareça descentralizada, ainda depende de estruturas físicas vulneráveis, localizadas em regiões sensíveis do ponto de vista político e militar – um risco pouco percebido pelo público, mas com potencial de impacto econômico significativo”, diz o Diretor da TI Safe.