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Um vegetal de sabor tão suave e adocicado, que quase sempre aparece como coadjuvante na sopa, pode ser o aliado mais discreto do seu sistema vascular.

A ciência mostra que o consumo de alho-poró no coração vai muito além de um simples hábito culinário: ele aciona compostos sulfurados e flavonoides que trabalham em várias frentes para manter as artérias desobstruídas e o sangue fluindo com menos resistência.

O que exatamente é o alho-poró e por que ele é tão estudado?

O Allium porrum (ou Allium ampeloprasum) pertence à mesma família da cebola e do alho. A diferença é que sua assinatura química combina dezenas de fitoquímicos com uma concentração relevante de potássio e fibras prebióticas.

Essa combinação faz dele um objeto frequente de estudos sobre hipertensão e dislipidemia. Em vez de um único princípio ativo, o alho-poró entrega um pacote de substâncias que agem em sinergia.

Como os compostos do alho-poró agem sobre os vasos sanguíneos?

O principal mecanismo envolve a produção de óxido nítrico, uma molécula que sinaliza para as paredes das artérias relaxarem. Um estudo publicado no SciELO mostrou que o extrato alcoólico de alho-poró aumentou significativamente o óxido nítrico sérico em ratos hipertensos.

Paralelamente, flavonoides como o kaempferol inibem a expressão de mediadores inflamatórios que enrijecem a camada interna dos vasos. Com menos inflamação, o endotélio mantém sua flexibilidade natural.

O alho-poró reduz mesmo o colesterol?

Um experimento com coelhos hipercolesterolêmicos, indexado no PubMed, administrou extrato de alho-poró em doses crescentes por 12 semanas. O resultado foi uma queda dose-dependente do colesterol total e uma redução significativa do LDL.

Os próprios pesquisadores concluíram que a planta pode ser útil no manejo da hipercolesterolemia, sem os efeitos adversos de fármacos mais agressivos.