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Uso excessivo de telas durante as férias acende alerta para a saúde mental de crianças e adolescentes

Especialistas destacam que aumento do tempo em dispositivos digitais no período sem aulas pode impactar comportamento, sono e relações sociais, exigindo atenção das famílias

Créditos: Canva

Durante as férias escolares, a rotina das famílias passa por mudanças significativas. Horários mais flexíveis, redução de atividades estruturadas e maior tempo livre acabam favorecendo o aumento do uso de dispositivos digitais entre crianças e adolescentes. Especialistas alertam que, embora a tecnologia seja uma aliada importante no aprendizado e no entretenimento, o uso excessivo pode trazer impactos relevantes para a saúde mental.

Celulares, tablets, videogames e televisão tornam-se presenças constantes no dia a dia. O problema, segundo profissionais da área, não está no acesso à tecnologia em si, mas na falta de equilíbrio. Quando o tempo de exposição às telas passa a ocupar grande parte do dia, começam a surgir efeitos que podem interferir no comportamento, no sono e nas relações sociais.

Dados recentes indicam que o consumo digital cresce de forma expressiva durante períodos sem aula. Ainda que esse aumento seja frequentemente encarado como algo temporário, os efeitos acumulados merecem atenção, especialmente em fases importantes do desenvolvimento.

O alto nível de atratividade das telas tem explicação. Aplicativos, jogos e redes sociais são desenvolvidos para manter o usuário engajado, com estímulos rápidos, recompensas constantes e forte apelo visual. Esse modelo ativa mecanismos ligados à liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e recompensa.

Esse padrão de consumo pode levar à preferência por atividades mais imediatistas, reduzindo o interesse por práticas que exigem maior concentração, como leitura e brincadeiras criativas.

Impactos na saúde mental

O uso excessivo de telas pode se manifestar de diferentes formas. Em crianças, é comum observar irritabilidade, dificuldade em lidar com frustrações e mudanças de humor. Já entre adolescentes, aumentam os relatos de ansiedade, isolamento social e comparações com padrões irreais nas redes sociais.

Segundo o médico Dr. Marcelo Godoi Cavalheiro (CRM: 87147/SP), o acompanhamento precoce da saúde emocional é fundamental para evitar a evolução desses sinais para quadros mais complexos, especialmente durante a infância e adolescência.

Além disso, o excesso de estímulos digitais pode comprometer a concentração e afetar o desempenho escolar, com possíveis impactos na autoestima.

Outro ponto de atenção está relacionado ao sono. A exposição à luz azul emitida por telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do ciclo do sono. O resultado pode ser dificuldade para dormir, noites fragmentadas e cansaço ao longo do dia.

Conteúdos altamente estimulantes, como jogos competitivos e vídeos dinâmicos, também mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para o descanso adequado.

Alguns comportamentos podem indicar que o uso de telas ultrapassou limites saudáveis, como irritação ao interromper o uso, perda de interesse por atividades presenciais, isolamento social, dificuldade em cumprir regras e queda no interesse por atividades cognitivas.

A observação desses sinais é essencial para a prevenção de problemas mais complexos relacionados ao bem-estar emocional.

Férias exigem atenção redobrada

Embora associadas ao descanso, as férias podem trazer desafios emocionais. A ausência da rotina escolar pode gerar tédio, sensação de vazio e aumento da ansiedade, especialmente em crianças e adolescentes mais vulneráveis.

A maior exposição às redes sociais nesse período também pode intensificar sentimentos de insegurança e comparação.

Especialistas recomendam que as famílias estabeleçam limites claros para o uso de dispositivos, definam horários e incentivem atividades alternativas, como esportes, leitura e momentos de convivência.

A participação dos pais é considerada fundamental nesse processo. O exemplo dentro de casa, aliado ao diálogo aberto sobre o uso consciente da tecnologia, contribui para a construção de hábitos mais saudáveis.

Quando buscar ajuda profissional

Mudanças persistentes de comportamento, irritabilidade frequente, isolamento social e dificuldades de concentração são sinais que indicam a necessidade de avaliação especializada.

O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais, como pediatras, psicólogos, neurologistas ou psiquiatras. A telemedicina também surge como uma alternativa acessível para a avaliação inicial e orientação das famílias.

De acordo com especialistas, a identificação precoce e o suporte adequado são determinantes para preservar a saúde mental e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.

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