Estudos de longo prazo estimam uma redução de 60% no risco de Alzheimer em pessoas que adotam de quatro a cinco hábitos saudáveis simultaneamente

Será que é possível “treinar” o cérebro assim como se faz com o corpo? A resposta é afirmativa, já que ele possui plasticidade, ou seja, capacidade de formar novas conexões ao longo da vida.
Atividades cognitivamente estimulantes fortalecem essas redes, tornando o cérebro mais resistente ao declínio. Estudos de longo prazo estimam uma redução de 60% no risco de Alzheimer em pessoas que adotam de quatro a cinco hábitos saudáveis simultaneamente.
O tema ganha ainda mais relevância neste mês de setembro, dedicado à conscientização sobre a doença.
Segundo a médica geriatra do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), Dra. Nellie Parra Rubio Boscariol, não existe, até hoje, qualquer forma comprovada de prevenção completa do Mal de Alzheimer.
Porém, o que a ciência demonstra com consistência é que um conjunto de hábitos saudáveis ao longo da vida reduz significativamente o risco, podendo até retardar o aparecimento dos sintomas.
“A boa notícia é que parte relevante do risco está ao alcance das escolhas que fazemos no dia a dia – e isso é motivo de otimismo, não de fatalismo”, complementa.
Ainda de acordo com a profissional, estudos de neuroimagem mostram que o treinamento cognitivo pode aumentar a ativação em regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal.
No entanto, o processo melhora o desempenho naquilo que é treinado, limitando a transferência para outras habilidades. Isso significa que manter a mente ativa faz parte de uma estratégia maior e nenhuma atividade isolada previne a demência por si só.
1. Leia com frequência
O hábito está entre as atividades cognitivas associadas ao menor risco de demência.
Não há um tipo de leitura comprovadamente superior a outro para a saúde cerebral. O mais importante é que o ato seja regular e engajante.
Leituras que desafiam a compreensão, como livros com enredos complexos, textos de áreas novas ou conteúdos em línguas estrangeiras, tendem a estimular mais o cérebro do que aquelas mais passivas e repetitivas.
2. Procure interagir com outras pessoas
A leitura, combinada a outras atividades, como conversar sobre o que foi lido ou participar de grupos de leitura, também estimula a socialização, outro fator protetor.
3. Exercite a mente
Jogos de raciocínio, palavras cruzadas e aplicativos de treinamento cerebral podem estimular habilidades específicas, mas isso não significa que seus efeitos se estendam automaticamente para outras áreas da vida cotidiana.
Ainda assim, essas atividades têm valor. Além de promoverem o engajamento mental, podem favorecer a socialização quando realizadas em grupo e proporcionar prazer e entretenimento.
4. Exercite o corpo
A atividade física é um dos fatores protetores mais bem documentados.
Exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, natação e ciclismo, reduzem significativamente o risco de desenvolver Alzheimer. Segundo o material, o benefício também é observado em portadores do gene de risco APOE ε4.
A recomendação geral das diretrizes é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada.
5. Cuide do seu estilo de vida
Segundo a Comissão Lancet sobre Demência, 45% do risco de demência é modificável por fatores relacionados ao estilo de vida e ao ambiente.
Entre eles estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, colesterol, alimentação e sono.
Sobre o Hospital Evangélico de Sorocaba
O Hospital Evangélico de Sorocaba completa, em 2026, 91 anos de atuação. A instituição conta com Pronto Atendimento Adulto para pacientes a partir dos 12 anos, ambulatório médico com diversas especialidades, centro cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Em parceria com o Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), o Hospital Evangélico integra o hub de serviços em saúde da Hospital Care, fortalecendo a assistência à população de Sorocaba e região.
