Novo levantamento da Neogrid, em parceria com o Opinion Box, evidencia o avanço da inteligência artificial e de outros recursos digitais na decisão sobre o que levar para casa

São Paulo, setembro de 2026 – A ida ao supermercado presencial se mantém como o principal ponto de abastecimento dos lares, mas a escolha dos itens que entram no carrinho depende cada vez mais de consultas prévias na internet. Levantamento da Neogrid, ecossistema de inteligência de dados para a cadeia de consumo, realizado em parceria com o Opinion Box, mostra que 77,7% dos brasileiros combinam canais presenciais e virtuais na rotina do lar, ao passo que 38,4% já recorrem à inteligência artificial (IA) em algum momento do processo, sobretudo para buscar recomendações, comparar itens e localizar promoções.
Segundo o estudo “O Novo Carrinho do Brasileiro: o que mudou nas escolhas de consumo e o que isso revela sobre o futuro do abastecimento”, cerca de 64,5% dos entrevistados checam valores sempre ou frequentemente antes de adquirir um artigo. Nesse cenário, o celular se consolida nesse instante de avaliação com 75,8% dos participantes dizendo que os recursos digitais servem para economizar no orçamento doméstico. Entre as opções disponíveis, as plataformas inteligentes assumem um papel ativo por meio de sistemas como ChatGPT, Gemini e similares.
Longe de anular o ponto de venda tradicional, o ambiente virtual diversifica os caminhos de escolha durante a jornada. Entre os usuários de IA, 45,4% pesquisam sugestões de presentes ou mercadorias, 45,2% contrapõem duas ou mais opções e 37,5% tentam encontrar cupons de desconto.
“O consumidor ganhou meios para consultar, cotejar e rever escolhas, mas a palavra final segue com ele. As ferramentas reduzem o tempo gasto para localizar alternativas e ampliam as opções no momento do pagamento. Para o varejo e a indústria, a disputa pela preferência começa antes da gôndola e continua enquanto o cliente caminha pelos corredores”, explica Leandro Murta, diretor-executivo da Neogrid.
Loja física mantém a liderança na rotina
A expansão dos canais virtuais não tirou dos estabelecimentos presenciais o protagonismo nesse jogo. Entre os formatos preferidos para abastecer a despensa com alimentos e bebidas, supermercados e hipermercados concentram 39,3% das escolhas, seguidos pelos atacarejos, com 23,9%. Os demais formatos aparecem em menor escala: mercados de bairro e hortifrutis (9,7%), marketplaces (8,9%), e-commerce próprio de redes (6,8%), aplicativos de entrega (6,5%), live commerce (2,1%), feiras livres (1,6%) e lojas de conveniência (1,3%).
A dinâmica atual descarta uma migração em massa para o comércio eletrônico. O público alterna entre diferentes canais a depender da categoria, conveniência ou condições comerciais do dia. Nas aquisições de rotina, 32,9% afirmam usar tanto o comércio físico quanto o digital, enquanto 25,1% priorizam os estabelecimentos presenciais, porém recorrem eventualmente à internet. Somente 22,3% mantêm o hábito exclusivo em apenas uma das modalidades.
IA auxilia a busca, mas decisão segue individual
Embora a IA ainda não faça parte da rotina da maioria da população, sua presença cresce de modo consistente. Do total de respondentes, 30,4% recorrem a essa solução para sintetizar avaliações e comentários publicados por outros usuários na internet.
A aceitação das indicações geradas por algoritmos passa por uma verificação. Na escala de confiança do levantamento, 36% atribuíram nota 4 às sugestões de itens e rótulos feitas por IA, enquanto 23,7% deram a nota máxima. O dado demonstra que a ferramenta participa da construção da escolha sem anular o julgamento pessoal do comprador.
O perfil etário também expõe diferenças. Entre os consumidores que utilizam a IA no e-commerce, 45,5% têm de 16 a 24 anos, enquanto 29,9% estão na faixa de 50 anos ou mais. O dado ganha relevância quando confrontado com quem lidera o orçamento da casa: entre os únicos responsáveis pelas provisões do lar, 49,2% somam 50 anos ou mais.
O uso de canais virtuais para abreviar gastos é mais difundido do que a própria IA. Quase três quartos dos abordados utilizam recursos digitais para cortar despesas: 23,9% relatam fazer isso com frequência e 51,9%, moderadamente. As estratégias preferidas envolvem cadastros em aplicativos para obter ofertas exclusivas (39%), programas de fidelidade (35,9%), cashback (26,9%) e encartes virtuais (26,1%). Nesse contexto, os assistentes virtuais funcionam como suporte adicional: 18,7% apelam a eles para rastrear promoções.
Ruptura no estoque empurra o consumidor para a concorrência
A procura por alternativas fica visível quando o item desejado falta nas prateleiras. De acordo com o monitoramento, 43,4% buscam a mesma marca em outro estabelecimento, 34% substituem o fabricante mantendo o tipo do produto e 22,6% escolhem outro artigo da mesma empresa. A ruptura no estoque, portanto, pode redirecionar o cliente para a concorrência em instantes.
O prejuízo para as marcas é maior quando a falta do produto gera experimentação. Entre os consumidores que trocam de fabricante diante do desabastecimento, 56,6% escolhem uma opção que já conhecem e aprovam, enquanto 18,1% levam um rótulo apenas conhecido. Para 21,6%, a ausência do item habitual abre espaço para considerar concorrentes com mais frequência no futuro.
Para indústrias e varejistas, o panorama exige rigor absoluto na gestão de estoque e reposição. Uma oferta atraente ou indicação positiva constrói o interesse, entretanto, a conversão requer a presença do item no expositor. O levantamento revela que 80,4% dos entrevistados já se interessaram por uma promoção anunciada, mas não encontraram o produto disponível na loja.
“Com mais caminhos para pesquisar e comprar, a tolerância para falhas na execução diminui. A reposição nas gôndolas precisa acompanhar esse ritmo, pois a decisão de levar outro item ou mudar de canal acontece em questão de minutos. Identificar onde a demanda está no momento certo é essencial para não perder a venda”, acrescenta Murta.
Metodologia
O estudo “O Novo Carrinho do Brasileiro: o que mudou nas escolhas de consumo e o que isso revela sobre o futuro do abastecimento” ouviu mais de 1 mil brasileiros, total ou parcialmente responsáveis pelas aquisições do lar, de diferentes classes sociais e faixas etárias a partir de 16 anos. A coleta dos dados ocorreu entre 7 e 13 de agosto de 2026 por meio de questionários online, com margem de erro de 3 pontos percentuais.
Sobre a Neogrid:
Neogrid é um ecossistema de soluções que transforma dados em insights e tecnologia em poder de ação para aumentar giro de estoque, reduzir ruptura, fortalecendo a colaboração entre indústria, varejo e distribuidor. Com estratégia de transformação guiada pela Inteligência Artificial – e foco total no cliente –, atuamos para que toda a cadeia de consumo e de abastecimento opere de forma integrada, sem faltas e sem excessos, aumentando a disponibilidade de produtos de maneira mais eficiente, sustentável e rentável.