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Varejo paulista prevê menor geração de empregos de fim de ano desde 2020

Sindilojas SP estima 18,5 mil novos postos em outubro e novembro, 22,6% abaixo de 2025; capital deve concentrar cerca de 4 mil vagas

Varejo paulista prevê menor geração de empregos de fim de ano desde 2020

São Paulo, outubro de 2026 — O varejo paulista deve entrar na temporada de Black Friday e Natal com um ritmo mais cauteloso de contratação. O Sindilojas SP estima a criação de 18,5 mil empregos formais no comércio varejista do Estado em outubro e novembro de 2026, número 22,6% inferior aos 23,9 mil postos gerados no mesmo período do ano passado. Caso a projeção se confirme, será o menor saldo para o bimestre desde o início da série histórica, em 2020.

Na capital paulista, a expectativa é de aproximadamente 4 mil novos postos, o equivalente a 22% das vagas previstas para o Estado.

A desaceleração ocorre justamente antes do período de maior sazonalidade do varejo, impulsionado pelo 13º salário, pela Black Friday e pelas compras de Natal. Em 2025, o faturamento bruto do comércio varejista paulista em dezembro foi 11,5% superior à média dos demais meses do ano, segundo a FecomercioSP. Na capital, o avanço chegou a 12%. Em segmentos como vestuário, tecidos e calçados, o faturamento de dezembro foi quase 60% superior à média dos demais meses.

A Black Friday também ganhou peso na composição das vendas. Segundo a FecomercioSP, a data fez novembro passar da sexta para a segunda maior participação no faturamento mensal do varejo paulista. Em 2024, o mês respondeu por 9,1% do faturamento anual do setor.

“O reforço das equipes continua sendo necessário porque a Black Friday e o Natal concentram um volume muito maior de consumidores. A diferença é que, neste ano, o empresário está fazendo isso com mais cautela, porque o ritmo das vendas e o ambiente econômico não permitem aumentar a estrutura na mesma proporção do ano passado”, afirma Jaime Vasconcellos, consultor de economia do Sindilojas-SP.

Vendedores e atendentes concentram metade das vagas

Vendedores e atendentes devem responder, juntos, por 9.250 dos 18,5 mil novos postos projetados, enquanto operadores de caixa devem representar 2.775 vagas e repositores, 1.850.

Os segmentos de vestuário, calçados, artigos de viagem e acessórios devem concentrar até 35% dos novos empregos, enquanto os supermercados responderão por aproximadamente 30%.

A concentração das oportunidades em funções de contato direto com o consumidor reforça a importância da preparação das equipes antes do pico de movimento. Treinamentos sobre produtos, atendimento, sistemas, estoque e operação de caixa podem ser decisivos para transformar o aumento do fluxo em vendas.

Contratações paulistas destoam do cenário nacional

A cautela do varejo paulista contrasta com a expectativa nacional. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil estima 130 mil contratações no comércio e nos serviços em todo o país para o fim do ano, entre vagas temporárias e efetivas, volume 10% superior ao projetado para 2025. Vendedores são a função mais procurada, representando 23% das vagas.

Em São Paulo, porém, o comércio chega à temporada com sinais de desaceleração. Segundo levantamento do Sindilojas SP com base no Novo Caged, o varejo paulistano criou 1.581 postos em agosto, o menor saldo para o mês desde 2020 e 67,5% inferior ao registrado em agosto de 2025.

Para o Sindilojas SP, o cenário exige equilíbrio entre reforçar a operação e controlar custos.

“O consumidor está mais seletivo e as empresas também estão mais cuidadosas. Nesse contexto, ter uma equipe preparada para transformar o movimento em venda será tão importante quanto ter estoque e preço competitivo”, completa Jaime.

A expectativa da entidade é que o comércio paulista encerre 2026 com desempenho mais fraco na geração de empregos do que em 2025, embora outubro e novembro continuem concentrando uma parcela relevante das oportunidades sazonais do setor.

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