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O agro cresce, mas não sem custo — e a conta chegou

Endividamento de R$ 98 bilhões força produtores a renegociar dívidas e acende alerta sobre gestão financeira no setor

Criada por IA

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo sinal de alerta em 2026. O volume de dívidas em processos de recuperação extrajudicial já soma R$ 98 bilhões, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial – Obre, refletindo um cenário de pressão financeira crescente no campo e mudança no comportamento de produtores e empresas do setor.

O dado se soma a um movimento mais amplo de deterioração das condições financeiras do agro. Apenas em 2025, o setor registrou recorde histórico de pedidos de recuperação judicial, com quase 2 mil solicitações, impulsionadas pela combinação de custos elevados, queda nos preços das commodities e aumento da alavancagem nos anos anteriores.

Na prática, o avanço das recuperações extrajudiciais mostra uma tentativa de evitar rupturas mais profundas com credores e preservar a operação. Diferente da recuperação judicial, esse modelo permite renegociar dívidas de forma mais direta, com menor exposição e impacto reputacional.

Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, o movimento revela uma mudança estrutural no perfil financeiro do agro brasileiro. “O produtor rural sempre teve uma relação muito próxima com o crédito, mas nem sempre com planejamento financeiro estruturado. Quando o ciclo vira, essa fragilidade aparece de forma mais intensa”, afirma.

Segundo ele, parte relevante do problema está na forma como o crédito foi acessado nos últimos anos, muitas vezes sem considerar cenários de oscilação de preços ou aumento de custos.

“Muitos produtores se capitalizaram em um momento de alta das commodities e expandiram suas operações. Só que o custo subiu, o preço recuou e a conta não fechou. A recuperação extrajudicial acaba sendo uma saída para reorganizar esse passivo”, explica.

O impacto vai além das empresas em dificuldade. A escalada da inadimplência já pressiona o sistema financeiro e tende a tornar o crédito mais restritivo para todo o setor, inclusive para produtores adimplentes.

“Quando aumenta o número de operações estressadas, o crédito fica mais caro e mais difícil. Isso cria um efeito cascata, porque atinge também quem está saudável, mas depende de financiamento para produzir”, diz Romário.

Outro ponto relevante é a própria estrutura do agro brasileiro, que dificulta a leitura clara do endividamento. Grande parte dos produtores atua como pessoa física ou em estruturas fragmentadas, o que pode mascarar o risco real até que ele se torne crítico.

Nesse contexto, o CEO da Sonhagro avalia que o avanço das recuperações extrajudiciais também sinaliza uma mudança de mentalidade no setor. “O produtor está começando a entender que crédito não é só acesso a recurso, é estratégia. Quem não estrutura isso acaba reagindo ao problema, e não prevenindo”, afirma.

Para ele, o cenário atual deve acelerar a profissionalização financeira no campo, com maior demanda por planejamento, gestão de fluxo de caixa e estruturação adequada das operações de crédito. “O agro continua sendo um dos setores mais fortes da economia brasileira. Mas crescimento sem gestão financeira cria vulnerabilidade. Esse movimento que estamos vendo agora é um ajuste de rota”, conclui.

 

Sobre a Sonhagro:

Especializada em soluções completas de crédito rural, a rede visa facilitar os processos burocráticos para os produtores, atuando no gerenciamento de suas negociações e na execução dos projetos técnicos que os bancos exigem.  Fazendo a sua história há mais de 12 anos, com mais de 90 unidades que facilitam o financiamento do crédito rural para os produtores em 25 estados do país.