Atual campeã mundial, Argentina tenta o bicampeonato consecutivo diante de uma Espanha invicta há 37 partidas e dona da melhor defesa da competição.

A Copa do Mundo de 2026 chega ao último e mais aguardado capítulo. Espanha e Argentina entram em campo neste domingo, 19 de julho, para decidir quem levantará a taça no New York New Jersey Stadium, conhecido como MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos.
A partida começa às 16h, pelo horário de Brasília, e coloca frente a frente as duas seleções mais bem posicionadas no ranking mundial, além dos atuais campeões da Europa e da América do Sul.
De um lado está a Espanha de Rodri, Lamine Yamal e Mikel Oyarzabal, invicta há 37 jogos e com apenas um gol sofrido durante toda a Copa. Do outro aparece a Argentina de Lionel Messi, dona do melhor ataque do torneio e vencedora de todas as sete partidas que disputou.
Mais do que uma final, o duelo representa um choque entre estilos, gerações e maneiras diferentes de controlar uma partida.
Espanha x Argentina: data, horário e onde assistir
- Jogo: Espanha x Argentina
- Competição: final da Copa do Mundo de 2026
- Data: domingo, 19 de julho de 2026
- Horário: 16h, pelo horário de Brasília
- Local: New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey
- Transmissão: TV Globo, Globoplay, ge tv, Sportv e CazéTV
- Árbitro: Slavko Vinčić, da Eslovênia
A programação da Globo, Globoplay e ge tv para a cerimônia da final está prevista para começar às 14h. No Sportv, o aquecimento deve começar às 13h.
O que está em jogo na final
A Argentina busca o quarto título mundial de sua história, após as conquistas de 1978, 1986 e 2022.
Se vencer, a seleção de Lionel Scaloni será a primeira a conquistar duas Copas consecutivas desde o Brasil, campeão em 1958 e 1962.
A Espanha tenta levantar a taça pela segunda vez. O único título espanhol foi conquistado em 2010, na África do Sul, com gol de Andrés Iniesta na prorrogação da final contra a Holanda.
Os espanhóis também podem encerrar a competição estabelecendo uma das maiores sequências de invencibilidade da história do futebol de seleções.
Como a Espanha chegou à final
A Espanha iniciou a Copa de maneira discreta, mas se transformou na equipe mais segura e consistente da competição.
Na primeira rodada, a seleção espanhola empatou por 0 a 0 com Cabo Verde. Depois disso, venceu todas as partidas e sofreu apenas um gol em toda a campanha.
- Fase de grupos: Espanha 0 x 0 Cabo Verde
- Fase de grupos: Espanha 4 x 0 Arábia Saudita
- Fase de grupos: Espanha 1 x 0 Uruguai
- Fase de 32: Espanha 3 x 0 Áustria
- Oitavas de final: Espanha 1 x 0 Portugal
- Quartas de final: Espanha 2 x 1 Bélgica
- Semifinal: Espanha 2 x 0 França
A classificação para a decisão veio com uma atuação dominante contra a França. Mikel Oyarzabal abriu o placar em cobrança de pênalti e Pedro Porro marcou o segundo gol.
Além de neutralizar Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise, a Espanha controlou a posse de bola e impediu que os franceses construíssem ataques com regularidade.
O time comandado por Luis de la Fuente chega à final com seis vitórias, um empate, seis partidas sem sofrer gols e uma invencibilidade de 37 jogos.
Como a Argentina chegou à final
A campanha argentina foi mais emocionante e turbulenta. A atual campeã venceu todas as sete partidas, mas precisou reagir em diferentes momentos do mata-mata.
A seleção começou com uma vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, com três gols de Messi, e depois derrotou a Áustria por 2 a 0. Desde a fase de 32, os jogos se tornaram mais complicados.
- Fase de grupos: Argentina 3 x 0 Argélia
- Fase de grupos: Argentina 2 x 0 Áustria
- Fase de grupos: vitória sobre a Jordânia
- Fase de 32: Argentina 3 x 2 Cabo Verde
- Oitavas de final: Argentina 3 x 2 Egito
- Quartas de final: Argentina 3 x 1 Suíça
- Semifinal: Argentina 2 x 1 Inglaterra
Na semifinal, a Argentina perdia para a Inglaterra até os minutos finais. Enzo Fernández empatou aos 41 minutos do segundo tempo, e Lautaro Martínez marcou o gol da classificação já nos acréscimos.
Lionel Messi deu as assistências para os dois gols da virada argentina sobre a Inglaterra.
A equipe de Lionel Scaloni chega à decisão com 19 gols marcados, o melhor ataque da Copa, e uma capacidade impressionante de sobreviver aos momentos de pressão.
Melhor defesa contra melhor ataque
Os números ajudam a explicar o equilíbrio da final.
A Espanha sofreu apenas um gol durante toda a competição. A Argentina, por sua vez, marcou 19 vezes e balançou as redes em todas as partidas.
O duelo, portanto, colocará o ataque mais produtivo do torneio diante da defesa mais eficiente.
- Espanha: 13 gols marcados e apenas um sofrido
- Argentina: 19 gols marcados e sete vitórias
- Espanha: seis jogos sem sofrer gols
- Argentina: quatro vitórias consecutivas por três ou mais gols marcados antes da semifinal
A Espanha costuma reduzir o número de oportunidades dos adversários por meio da posse de bola. Quanto mais tempo permanece com a bola, menos precisa defender perto da própria área.
A Argentina aceita partidas mais abertas. Mesmo quando sofre pressão, o time mantém jogadores preparados para acelerar assim que Messi recebe entre o meio-campo e a defesa adversária.
Lionel Messi pode fazer seu último jogo em Copas
Aos 39 anos, Lionel Messi chega a mais uma final de Copa do Mundo como principal jogador da Argentina.
O camisa 10 lidera a corrida pela artilharia da competição com oito gols e também distribuiu quatro assistências.
Embora Messi ainda não tenha confirmado quando encerrará sua carreira pela seleção, a decisão contra a Espanha pode representar sua última partida em uma Copa do Mundo.
Depois de conquistar o título em 2022, o argentino tem a oportunidade de encerrar sua trajetória no torneio com um bicampeonato consecutivo e mais um capítulo em uma carreira já histórica.
Lamine Yamal representa a nova geração espanhola
Do outro lado estará Lamine Yamal, de 19 anos, uma das principais referências da Espanha.
O atacante do Barcelona ainda busca sua atuação mais decisiva nesta Copa, mas tem sido fundamental para abrir espaços, atrair marcadores e acelerar o jogo espanhol pelo lado direito.
Yamal sentiu dores após sofrer uma pancada na semifinal contra a França, mas a comissão técnica espanhola indicou que ele estará disponível para a decisão.
O encontro com Messi possui ainda uma coincidência que parece roteiro de cinema. Em 2007, durante um ensaio beneficente promovido pelo Barcelona e pelo Unicef, um jovem Messi foi fotografado dando banho em Yamal, que ainda era bebê.
Dezenove anos depois, os dois se enfrentarão pela primeira vez justamente em uma final de Copa do Mundo.
Rodri é o cérebro da Espanha
Embora Yamal concentre grande parte das atenções, o funcionamento da Espanha passa principalmente por Rodri.
O volante atua como organizador, protege os zagueiros e determina a velocidade da troca de passes. Ele também é responsável por impedir que o adversário encontre espaços pelo centro.
Rodri chegou à final com 655 passes completados, recorde para um jogador em uma única edição da Copa do Mundo.
Contra a Argentina, sua principal missão será impedir que Messi receba livre na entrada da área e controlar as movimentações de Enzo Fernández e Alexis Mac Allister.
Enzo Fernández e Mac Allister são fundamentais para Messi
A Argentina não depende apenas de Messi. A capacidade do camisa 10 para decidir também está relacionada ao trabalho realizado pelo meio-campo.
Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Rodrigo De Paul e Leandro Paredes pressionam, recuperam a bola e realizam movimentos que afastam os marcadores de Messi.
Enzo chega especialmente valorizado depois de marcar o gol de empate contra a Inglaterra. Mac Allister, por sua vez, ajuda a seleção a sair da pressão e conectar o meio-campo ao ataque.
Se a Argentina conseguir superar a primeira linha de pressão espanhola, Messi poderá encontrar espaço diante dos zagueiros.
O confronto tático
A Espanha tentará manter a bola, controlar o ritmo e impedir que a final se transforme em uma sequência de contra-ataques.
Quando perde a posse, o time espanhol pressiona imediatamente para recuperá-la antes que o adversário consiga organizar a transição ofensiva.
A Argentina tentará atrair essa pressão e encontrar Messi entre as linhas. A partir daí, Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Mac Allister e Enzo Fernández poderão atacar os espaços deixados pelos espanhóis.
Outro ponto importante será o comportamento dos laterais. Pedro Porro e Marc Cucurella avançam bastante na Espanha, enquanto Gonzalo Montiel ou Nahuel Molina e Nicolás Tagliafico precisarão equilibrar apoio ofensivo e proteção defensiva pelo lado argentino.
Quanto mais organizada e controlada for a partida, melhor para a Espanha. Quanto mais quebrado, emocional e imprevisível for o jogo, maior será a possibilidade de a Argentina impor suas características.
Provável escalação da Espanha
Espanha: Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Marc Cucurella; Rodri e Fabián Ruiz; Lamine Yamal, Dani Olmo e Álex Baena; Mikel Oyarzabal.
Técnico: Luis de la Fuente.
Lamine Yamal deve jogar normalmente. Pedro Porro apresentou um pequeno problema muscular depois da semifinal, mas também é esperado entre os titulares.
Pedri, Nico Williams, Mikel Merino e Yéremy Pino aparecem como alternativas importantes para o decorrer da partida.
Provável escalação da Argentina
Argentina: Emiliano Martínez; Gonzalo Montiel, Cristian Romero, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Rodrigo De Paul, Leandro Paredes, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister; Lionel Messi e Julián Álvarez.
Técnico: Lionel Scaloni.
Scaloni ainda pode manter Nahuel Molina na lateral direita ou optar por Giuliano Simeone para reforçar a marcação pelo setor.
No ataque, Lautaro Martínez disputa a posição com Julián Álvarez. O jogador da Inter de Milão marcou o gol da classificação contra a Inglaterra e pode voltar a ser utilizado como uma arma para o segundo tempo.
As escalações são prováveis e poderão ser alteradas até a confirmação oficial das equipes.
Três duelos que podem decidir a final
Messi contra Laporte e Rodri: a Espanha precisará impedir que o argentino receba de frente para o gol. Rodri deverá fechar as linhas de passe, enquanto Laporte terá de decidir quando abandonar a defesa para antecipar o camisa 10.
Lamine Yamal contra Tagliafico: o espanhol tentará usar velocidade, drible e mudanças rápidas de direção. Tagliafico deverá contar com a ajuda de Mac Allister para evitar situações de um contra um.
Enzo Fernández contra Fabián Ruiz: os dois meio-campistas atacam espaços, chegam à área e participam da construção. Quem conseguir aparecer livre poderá mudar o equilíbrio do setor central.
Retrospecto de Espanha x Argentina
O equilíbrio não está apenas na campanha atual.
De acordo com o levantamento da Fifa, Espanha e Argentina se enfrentaram 14 vezes antes da final. Cada seleção venceu seis partidas, e dois confrontos terminaram empatados.
- Jogos: 14
- Vitórias da Espanha: 6
- Vitórias da Argentina: 6
- Empates: 2
O confronto mais marcante dos últimos anos ocorreu em 2018, quando a Espanha goleou a Argentina por 6 a 1 em um amistoso disputado em Madri. Messi não participou daquela partida.
Agora, pela primeira vez, espanhóis e argentinos disputarão diretamente o título mundial.
Mestre e aluno nos bancos de reservas
A final também possui uma história curiosa entre os treinadores.
Luis de la Fuente foi professor de Lionel Scaloni em um curso para treinadores realizado pela Federação Espanhola em 2017.
Os dois mantiveram uma relação de amizade e admiração, mas estarão em lados opostos na partida mais importante de suas carreiras.
Scaloni tenta conquistar sua segunda Copa do Mundo como treinador. De la Fuente busca completar um ciclo iniciado nas categorias de base da Espanha e consolidado com a conquista da Eurocopa de 2024.
Uma final que divide a torcida brasileira
A decisão também desperta sentimentos diferentes entre os brasileiros.
Parte da torcida prefere apoiar uma seleção sul-americana e deseja ver Messi conquistar outro título. Outros brasileiros torcerão pela Espanha, influenciados pela rivalidade com os argentinos e por episódios históricos envolvendo as Copas de 1978 e 1990.
Essas histórias foram relembradas na reportagem especial sobre por que as polêmicas envolvendo a Argentina ainda incomodam parte dos brasileiros.
Dentro de campo, porém, a final reúne duas seleções que chegaram por caminhos diferentes e apresentaram argumentos suficientes para conquistar o título.
Quem chega melhor?
A Espanha chega mais estável. Controlou melhor seus adversários, possui a defesa menos vazada e raramente precisou abandonar seu plano de jogo.
A Argentina chega mais testada emocionalmente. A equipe sofreu, esteve perto da eliminação e encontrou soluções nos momentos mais difíceis.
Os espanhóis parecem mais preparados para controlar a partida. Os argentinos, porém, contam com Messi e com uma geração que já demonstrou saber sobreviver a decisões.
A final dependerá de quem conseguir levar o jogo para o terreno que prefere: a ordem espanhola ou o caos argentino.
Fontes consultadas: Fifa, Fifa – duelos da final, Reuters, ge, Olympics.com e Associated Press.
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