Tecnologia aproxima o sistema financeiro tradicional da blockchain e pode tornar transações internacionais mais rápidas, acessíveis e disponíveis 24 horas por dia
As stablecoins são ativos digitais criados para combinar a eficiência da blockchain com a estabilidade de moedas tradicionais, como o dólar. A proposta é reduzir as oscilações de valor comuns a outras criptomoedas e facilitar operações como pagamentos, transferências e movimentações internacionais.
“De forma simples, as stablecoins permitem movimentar valor digitalmente sem que se esteja necessariamente exposto à mesma volatilidade de outras criptomoedas. Isso cria uma alternativa para quem precisa fazer transações em moeda estrangeira e busca mais agilidade e previsibilidade”, explica Lorenzo Ferraz, da equipe de Growth da Ruvo, fintech que oferece uma conta global em dólar para brasileiros receberem, guardarem e movimentarem dinheiro internacionalmente.
Para Alec Howard, cofundador e CEO da Ruvo, no entanto, o grande diferencial das stablecoins está na possibilidade de transformar a forma como o dinheiro circula entre diferentes países. “A tecnologia permite que uma transferência seja realizada em uma infraestrutura que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender dos mesmos horários e etapas do sistema bancário tradicional. É uma mudança importante porque aproxima a velocidade e a disponibilidade da internet da movimentação de dinheiro”, afirma.
Na prática, esse modelo já deixou de ser restrito às operações do mercado de criptoativos. Segundo análise da McKinsey em parceria com a Artemis Analytics, cerca de US$ 390 bilhões em pagamentos foram realizados com stablecoins em 2025, mais que o dobro do volume estimado para 2024. O levantamento também aponta que os gastos com cartões vinculados a stablecoins chegaram a US$ 4,5 bilhões no período, alta de 673% em relação ao ano anterior.
Um exemplo simples é o de uma pessoa que trabalha para uma empresa estrangeira e precisa receber em dólar. Para quem recebe ou movimenta recursos em moeda estrangeira, as stablecoins podem funcionar como uma camada de infraestrutura para transferir valor digitalmente, sem depender exclusivamente de uma cadeia de bancos e sistemas de pagamentos internacionais. Plataformas como a Ruvo utilizam essa tecnologia para transformar esse processo em uma experiência financeira mais simples para o usuário, com movimentação de recursos disponível 24 horas por dia.
É esse tipo de aplicação que ajuda a explicar por que as stablecoins começam a despertar interesse também fora do universo tradicional das criptomoedas. Em vez de serem vistas apenas como ativos para investimento, elas passam a ser utilizadas como parte da infraestrutura de pagamentos, especialmente em operações que envolvem diferentes moedas e países.
Como funciona
Para que uma stablecoin cumpra a proposta de estabilidade, é preciso existir um mecanismo que ajude a sustentar seu valor. A forma mais comum é o uso de reservas: a empresa responsável pela emissão mantém ativos que servem como lastro para as unidades digitais em circulação. O que pode incluir moedas tradicionais, como o dólar, e títulos de alta liquidez.
Também existem stablecoins que utilizam outros criptoativos como garantia ou mecanismos algorítmicos para buscar o equilíbrio entre oferta e demanda. Os modelos são diferentes, mas o objetivo é semelhante: fazer com que o preço do ativo permaneça próximo daquele que ele busca acompanhar.
“Estamos vendo uma aproximação cada vez maior entre a infraestrutura financeira tradicional e a tecnologia blockchain. As stablecoins estão no meio desse movimento porque permitem representar e movimentar valor em uma infraestrutura digital, enquanto mantêm uma conexão com moedas que as pessoas e empresas já conhecem”, explica Howard.
Sistema também exige atenção
O fundador da Ruvo salienta, no entanto, que o crescimento desses ativos também exige maturidade. “Regulação, compliance, segurança, custódia e transparência sobre as reservas são fundamentais para que essa tecnologia possa ser incorporada de forma confiável ao sistema financeiro”, ressalta o CEO.
Por isso, a fintech encara as stablecoins menos como um produto de nicho e mais como uma tecnologia capaz de melhorar a infraestrutura de pagamentos globais. “Nosso objetivo é transformar essa tecnologia em uma experiência simples para quem precisa receber, guardar e movimentar dólares no dia a dia”, afirma.
