Para Amerson Magalhães, economista da Crefaz, data pode ser oportunidade para famílias ensinarem aos filhos conceitos como planejamento, escolhas e consumo consciente

São Paulo, outubro de 2026 – O Dia das Crianças costuma movimentar o comércio e colocar as famílias diante de uma pergunta recorrente: quanto gastar com o presente? Neste ano, porém, a data pode servir também como uma oportunidade para uma conversa que vai muito além do valor de um brinquedo ou de uma peça de roupa. A educação financeira ganhou espaço no Congresso Nacional com a aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei 2.979/2023, que prevê a inclusão do tema nos currículos dos ensinos fundamental e médio. Como o texto foi alterado pelos senadores, a proposta retornou à Câmara dos Deputados.
Na prática, a discussão reforça a importância de preparar crianças e adolescentes para lidar com dinheiro desde cedo. Para Amerson Magalhães, economista da Crefaz, esse aprendizado não precisa ficar restrito ao ambiente escolar. Situações cotidianas, como a escolha de um presente, podem ajudar as famílias a introduzir conceitos de planejamento, comparação de preços, prioridades e consequências das escolhas.
“Educação financeira não significa ensinar a criança simplesmente a gastar menos. Significa ajudá-la a entender que os recursos são limitados e que toda escolha envolve uma decisão. O Dia das Crianças pode ser uma situação muito concreta para conversar sobre isso, estabelecer um valor, pesquisar alternativas, escolher o que faz sentido e até entender que guardar dinheiro hoje pode permitir realizar um desejo maior amanhã”, afirma Magalhães.
O executivo reforça que esse aprendizado construído no ambiente familiar complementa o papel que a escola pode exercer. “A escola tem um papel importante na formação financeira, mas os primeiros exemplos estão dentro de casa. Quando pais e mães envolvem os filhos, de acordo com a idade, em pequenas decisões sobre consumo e planejamento, estão criando referências que podem acompanhá-los por toda a vida. Não é necessário falar de investimentos ou de produtos financeiros, mas começar com situações simples do dia a dia”, diz.
Levar a criança ao supermercado e mostrar como comparar produtos de preços diferentes, envolvê-la na escolha de um passeio dentro de um orçamento definido ou combinar que parte de um dinheiro recebido será guardada para um objetivo futuro são maneiras simples de apresentar conceitos como planejamento e prioridades. Até mesmo esperar alguns dias antes de comprar um brinquedo desejado pode ajudar a criança a perceber a diferença entre uma vontade imediata e uma decisão planejada.
Mais do que definir quanto gastar com o presente, a proposta é aproveitar a data para mostrar às crianças que dinheiro envolve escolhas conscientes. Nesse sentido, o Dia das Crianças pode deixar uma lição que vai além do brinquedo que chega às mãos dos pequenos: a compreensão de que consumir também é decidir, e que desenvolver essa consciência desde cedo pode contribuir para uma relação mais equilibrada com o dinheiro no futuro.
Sobre a Crefaz
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