São Paulo, 27 de agosto de 2019 – Ganhando cada vez mais popularidade no Brasil e no mundo, a arte da tatuagem movimenta um grande mercado no país. De acordo com um levantamento feito pelo Sebrae em 2016/ 2017, houve um crescimento de 24% no número de estúdios abertos no Brasil. Além disso, o Brasil ocupa 9º lugar no ranking de nações com mais pessoas tatuadas – 38% da população têm pelo menos uma tatuagem.

“Em meio a tamanha popularidade, é preciso conscientização sobre este procedimento, que deve ser profissional, feito em condições higiênicas, com agulhas esterilizadas e com seguimento das demais regras da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, alerta a Dra. Maria Inês Harris, Diretora Executiva do Instituto Harris e especialista em avaliação de segurança na área cosmética.

No país, apenas 3 marcas de tintas (Eletric Ink, Iron Works e Starbrite Colors) receberam aprovação da ANVISA. Se não regulamentadas, as tintas podem ser tóxicas e colocar em risco a saúde.

“Em tintas não regulamentadas pela Anvisa, os componentes podem estar adulterados e estar presentes em proporções acima das indicadas, apresentando, por exemplo, excesso de ferro, bactérias ou mofos. Os problemas mais comuns ao usar uma tinta não autorizada são ocorrência de dermatites graves na pele, que causam coceira, vermelhidão, feridas e reações alérgicas”, afirma a Dra. Harris.

Um levantamento realizado pela FDA (Food and Drug Administration) identificou infrações graves na comercialização de tintas, como a utilização de tintas desenvolvidas para automóveis e cartuchos de impressoras. Além disso, os riscos podem não estar apenas nos pigmentos, mas também em solventes, emulsificantes e conservantes usados no desenvolvimento das tintas, conforme apontado pela pesquisa publicada na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. O trabalho tece comentários sobre pigmentos específicos que aumentam a probabilidade de reações adversas – o vermelho, por exemplo, por conter mercúrio. Tintas como lilás, rosa e roxo, costumam causar mais alergias e nesse caso, seria ideal fazer um teste de alergia antes de realizar os procedimentos. Já o preto, pode apresentar como base carvão e fenol (substância rapidamente absorvida pela pele, corrosiva, irritante para mucosas).

Em países europeus como Dinamarca, Itália e Noruega, está em andamento uma proposta liderada pela ECHA (European Chemicals Agency) de restrição de determinadas substâncias perigosas contidas em algumas tintas de tatuagens, com intuito de diminuir os riscos causados por elas. A proposta inclui substâncias já proibidas em cosméticos e algumas substâncias adicionais.

“Pouca informação está disponível sobre a composição das tintas de tatuagens, e isso é gravíssimo, pois estamos expondo a população a substâncias que não sabemos se são seguras ou se estão usadas em concentrações adequadas. É de extrema importância que tanto o público geral, quanto os donos dos estabelecimentos, tenham conhecimento sobre a origem dos componentes, para que seja possível orientar o consumidor caso a caso, garantindo uma melhor experiência durante e após o procedimento. Além disso, os profissionais devem relatar a ANVISA sobre casos de efeitos adversos”, ressalta a Dra. Harris.

Curiosamente, as tatuagens podem trazer alguns alertas sobre a saúde. Segundo matéria no site Cosmetic Innovation, cientistas desenvolveram tintas capazes de mudar de cor para diagnosticar o status do paciente com determinadas doenças. Capaz de mudar de cores de acordo com o pH do corpo, os pigmentos são capazes de “alertar” se os níveis de glicose estão acima da média, apresentando sinais de diabetes.

A Dra. Harris ressalta a importância dos cuidados antes e após a realização do procedimento de tatuagem. “É necessário que um dermatologista examine a região a ser tatuada, para verificar se não existem pintas, manchas ou lesões suspeitas que possam ser cobertas pela tinta da tatuagem”, pontua.

Após realizar sessões de tatuagem, é necessário ainda ter cautela com a área tatuada durante o período de cicatrização, que pode levar até um mês. Ela deve ser protegida completamente dos raios solares por meio de um curativo envolto com plástico para evitar contaminação com microrganismos, e deve-se evitar saunas, piscinas e banhos de mar.

Sobre a Dra. Maria Inês Harris – Diretora Executiva do Instituto Harris, a Dra. Maria Inês Harris é Química, com Ph.D. em Química (UNICAMP) e Pós-Doutorado em Toxicologia Celular e Molecular de Radicais Livres (UNICAMP) e em Lesões de Ácidos Nucleicos (CNRS, França) e é certificada no curso “Avaliação da Segurança dos Cosméticos na UE” (Universidade de Bruxelas, Bélgica). Atuou como gerente técnica de Pesquisa Clínica na Alergia Pesquisa Dermatocosmética, gerente de segurança de produtos da Natura e especialista em métodos HPLC (High Performance Liquid Chromatography) na Alcon Laboratórios. Também foi professora do Curso de Especialização em Cosmetologia das Faculdades Oswaldo Cruz (São Paulo) por 19 anos e coordenadora de Pesquisa Institucional da Universidade Bandeirantes (atual Anhanguera) no Brasil. É autora dos livros “Pele – Estrutura, Propriedades e Envelhecimento” e “Pele – do Nascimento à Maturidade”.

Sobre o Instituto Harris – Exclusivamente voltado à avaliação de segurança dos ingredientes e produtos cosméticos – desde seu desenvolvimento até a produção –, assim como à consultoria científica e aos programas de treinamento e capacitação profissional relacionados às Boas Práticas da Fabricação (BPF), o Instituto Harris é referência em serviços de avaliação de riscos. Sua equipe experiente oferece suporte às atividades de criação de ativos e de produtos cosméticos desenvolvidos sob os mais altos critérios de segurança, sem o uso de testes em animais, para empresas nacionais e internacionais. Para mais informações, acesse o siteFBInstagram e Youtube, ou entre em contato pelo tel. (11) 3129-5398 ou e-mail contato@harris.com.br .