As expectativas para o setor de Construção Civil em 2020 são as melhores possíveis. Com novas linhas de crédito para financiamentos a juros mais baixos, o sonho da casa própria de muitos brasileiros pode sair do papel. O setor estima um crescimento de 3% neste ano — superior aos resultados do ano passado. 

A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) está bastante otimista, a expectativa é que o setor gere, pelo menos, 150 mil novos postos de trabalho formais até o fim de 2020. 

A construção civil é um setor crucial para acelerar a diminuição do índice de desemprego no país. O setor é um dos que mais contrata pessoas com pouca ou sem formação — perfil que faz parte da grande massa de desempregados no país. 

Retomada do crescimento 

Depois de anos consecutivos em queda, com poucas obras em curso por conta da recessão econômica, 2019 marcou a retomada do crescimento do setor. No ano passado, o setor teve um avanço de 2% e gerou quase 100 mil postos de trabalho. 

Com a volta do crescimento do PIB da construção civil, o setor interrompeu uma sequência negativa de cinco anos de queda nos rendimentos. As projeções positivas das entidades ligadas ao setor levam a crer que os tempos de crise ficaram para trás. 

Setor espera voltar a ter resultados expressivos nos próximos anos

Neste século, a construção civil já teve tempos de glória. Entre 2006 e 2012, o PIB do setor cresceu 62%. No seu auge, mais de 3,5 milhões de trabalhadores formais eram empregados em construtoras, empreiteiras e empresas ligadas ao setor. 

Porém, depois de seis anos de crescimento abundante, a construção civil sofreu com seis anos de queda. Desde o estopim da crise, em 2013 até 2018, o PIB do setor caiu 30%. Com a queda, mais de 1,2 milhão de postos de trabalho foram fechados. 

O presidente da SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Odair Senra, aponta que a recuperação da economia pode ser puxada pela construção civil nos próximos anos. 

Senra ressalta que os juros baixos para financiamentos, a inflação controlada e a volta de uma certa estabilidade da economia brasileira foram essenciais para a retomada do crescimento em 2019. 

O setor imobiliário foi fundamental para a retomada do crescimento da construção civil. Com a volta das construções de condomínios de prédios e conjuntos habitacionais, 2019 foi um ano positivo para ambos os setores. Sendo marcado também por muitas vendas, lançamentos e novas linhas de crédito com juros mais baixos para financiamento, tanto em bancos públicos como em bancos privados. 

Segmentos que ajudam o setor na retomada do crescimento 

Alguns segmentos do setor da construção civil mereceram destaque em 2019 e devem continuar rendendo bons frutos em 2020. Segundo Odair Senra, o segmento que mais cresceu foi o de autoconstrução e reformas. 

Isso se deve ao aumento do consumo das famílias, e, é claro, da liberação de valores do PIS e do FGTS, na grande maioria das vezes utilizados para a realização de reformas e construções de casas, o que alimentou as vendas das lojas de materiais de construção. 

A projeção das entidades do setor é que o segmento cresça 3% neste ano. Outros segmentos também possuem boas previsões, como engenharia de projetos e arquitetura, e infraestrutura, que devem crescer 2,5% e 1%, respetivamente. 

Caso as previsões se confirmem, a consolidação da construção civil será evidente. O setor tem capacidade de puxar o crescimento da economia e eliminar alguns problemas que brecam o seu crescimento, como o alto índice de desemprego.