“Nostalgia” é o investimento mais seguro para a indústria do entretenimento


Imagem de Pablo Elices por Pixabay

O mundo “fashion” é prova de que modas são, de fato, cíclicas. E não dá para tirar a razão desse universo pela limitação de opções que se encontram nas peças de roupa que saem das mentes dos estilistas mais ou menos famosos, e que não são tidas ao mesmo tempo como ideias nada práticas para os nossos tempos – até que a moda “pegue”, após muitas tentativas (e passarelas).

Vê-se algo parecido no mundo de entretenimento com os filmes e séries que surgem nas plataformas de streaming, e nas telas de TV por assinatura. Muitas das vezes as séries que evocam mídias das décadas passadas, ou que são de fato repaginações destas mídias em questão tornam-se os maiores fenômenos de audiência das plataformas em questão. E assim, o executivo encontra o incentivo financeiro para continuar a produzir séries e filmes que atiçam a nossa nostalgia.

Outro nível da maré de “revivals”, é simplesmente trazer de volta obras antigas que já se encontram há anos longe das telas aqui. Muitas das vezes, é uma questão de limitações financeiras: sem os fundos necessários para se trazer uma nova produção à luz da programação do canal de TV em questão, é mais barato e até mais seguro ir até as peças mais conhecidas pelo público que já tem familiaridade com o produto em questão. Essa é uma estratégia clara quando se trata da Band, que trouxe de volta o herói japonês Kamen Black Rider às TVs brasileiras.

Imagem de Pablo Elices por Pixabay

A Band já havia apostado na nostalgia por meio de outros seriados japoneses, como Changeman, Jiraiya e Jaspion, no começo deste ano. Mas ela não está sozinha nessa jornada. A Amazon Prime, que também exibirá Kamen Black Rider, possui em seu catálogo seriados antigos como Seinfeld e Mr. Bean. O jogo de slots Jumanji, disponível na Casinoin – considerado um dos melhores novos cassinos online pelos critérios da Casinos.pt –, tem como inspiração o filme sobre o jogo de tabuleiro estrelado pelo ator Robin Williams, que ganhou um “reboot” em 2017. E em plataformas de vendas de jogos de PC como a Steam, estão disponíveis clássicos dos videogames como Fallout Tactics e Baldur’s Gate.

Essa mesma nostalgia é o que acaba inspirando também eventos em Guaíba, como o Encontro de Carros Antigos, que acontece todo ano na cidade. Os carros velhos, mas ainda muito bem conservados por seus proprietários, acabam criando um senso de segurança e também de comunidade entre seus donos. E a familiaridade cria um incentivo para que a nostalgia continue a ser reproduzida em outros eventos conforme os anos passam, relembrando anos mais gloriosos a partir dos carros que, se deixados ao léu, se tornariam “charangas”.

É um sentimento nobre e que ajuda a manter memórias vivas e frescas, até para se buscar inspiração em novas coisas a serem feitas não importa o campo em questão. Mas este também pode ser algo nocivo se mal utilizado, ainda mais quando a nostalgia age como impeditivo para a produção de novas ideias em campos mais criativos como a indústria do entretenimento.

O que move qualquer mercado são as finanças geradas por um ativo e/ou investimento. Quanto mais dinheiro gerado, melhor para o investidor, que vê naquele retorno um incentivo para direcionar mais recursos ao investimento que deu certo no passado com esperanças de ver mais retorno em um futuro próximo.

O efeito nostálgico faz com que as peças artísticas que já tem mais familiaridade com o público recebam tais investimentos de forma quase contínua. Isso porque há um público dedicado a essas mídias, que consumirá tudo aquilo que for possível dentro das suas finanças relacionadas ao produto em questão.

Entretanto, recursos são limitados. E quando novas peças com potencial de “estouro” são criadas, é bem difícil convencer o investidor conservador a investir seus trocados em algo que não se provou de outra forma. Não por menos também que muitas das obras de cinema e seriados de sucesso são adaptações de livros, pois o sucesso literário pode se transformar em um fenômeno audiovisual.

É uma dinâmica que dificilmente será quebrada no nosso atual sistema da indústria do financiamento. Mas por sorte, produções independentes têm conseguido alternativas de se financiar através do público por “crowdfunding”, além de outras ferramentas de financiamento próprio que geram grandes peças que não teriam lugar ao sol graças a esses esforços próprios. Um dia, quem sabe, tais tribulações não serão mais necessárias.

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