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Gravidez na infância e adolescência custa caro ao futuro das meninas, alerta Plan Brasil no Dia Internacional da Menina

Pesquisa “Marcas do Tempo”, da Plan Brasil, mostra que quase 9 em cada 10 jovens que engravidaram entre 15 e 19 anos se casaram ou formaram união após a gestação.

Qual é a melhor idade para uma mulher engravidar

São Paulo, outubro de 2026 – Ter engravidado na infância ou na adolescência aumenta em 24 pontos percentuais a chance de uma jovem estar fora da escola e em 21 pontos percentuais a chance de ela não concluir o Ensino Médio.

É o que mostra a pesquisa “Marcas do Tempo: Gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, da Plan International Brasil, que ouviu mais de 1.500 jovens mulheres de 19 a 29 anos em todas as regiões do país. Os resultados embasam a campanha “Meninas respeitadas, direitos protegidos”, lançada pela organização para marcar o Dia Internacional da Menina, celebrado em 11 de outubro.

Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2011, o Dia Internacional da Menina é celebrado todo 11 de outubro para dar visibilidade aos direitos das meninas e aos desafios específicos que elas enfrentam em todo o mundo.

Casamento infantil e uniões informais com crianças e adolescentes

No Brasil, a pesquisa da Plan mostra que gravidez e casamento na infância e na adolescência caminham juntos. Além dos 88% que se casaram ou formaram uma união após engravidar entre os 15 e os 19 anos, 53% das jovens que engravidaram na infância ou adolescência são hoje casadas ou vivem em união estável, mais que o dobro do registrado entre as que não passaram pela experiência (26%). E, entre as jovens que vivem em união, ter engravidado cedo aumenta em 19 pontos percentuais a probabilidade de essa união ter começado antes dos 16 anos, idade abaixo da qual o casamento é proibido no país desde 2019.

Os dados oficiais reforçam o cenário. Em 2022, 12% dos nascimentos no Brasil foram de mães com até 19 anos, e cerca de 14 mil bebês nasceram de meninas de até 14 anos, faixa etária em que, pela lei brasileira, qualquer relação sexual configura estupro de vulnerável. Aproximadamente 16% dessas mães foram declaradas casadas ou em união estável no registro de nascimento dos filhos, segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC).

Nas 50 entrevistas em profundidade da pesquisa, casamentos e uniões precoces aparecem como um fator que aprofunda as consequências da gravidez na infância e na adolescência: aumenta a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado, restringe a autonomia, dificulta a permanência na escola e expõe as meninas à violência doméstica. Uma das entrevistadas, hoje com 24 anos, engravidou aos 10 e resume: “Casei com 13 anos. Minha adolescência foi sempre ser dona de casa. Até adulto foi ser dona de casa, na adolescência. Na minha infância, aproveitei muito pouco, depois que engravidei.”

Um custo que acompanha a vida inteira

A pesquisa da Plan Brasil mostra que o prejuízo acompanha essas jovens até a vida adulta. Entre as que engravidaram cedo, 83% já tiveram que deixar um emprego ou perderam oportunidades de trabalho por causa do cuidado com os filhos, e 48% vivem com até dois salários-mínimos, contra 34% das que não passaram pela experiência. A interrupção dos estudos pesa nessa conta: segundo o Ipea, concluir o Ensino Médio eleva a renda de uma pessoa entre 11% e 20% ao longo da vida. O casamento infantil também: o Banco Mundial estima que a prática reduz em 9% os ganhos de uma mulher ao longo da vida.

Os relatos também mostram como a falta de rede de apoio e a sobrecarga de cuidado se traduzem em perda de renda. “Com certeza já perdi por não ter rede de apoio, porque a minha rede de apoio hoje é meu marido e minha mãe.

Minha mãe tem a vida dela e meu marido tem que trabalhar, e aí a prioridade hoje é ele trabalhar. E aí eu já perdi vários, inclusive empregos bons, porque eu não tinha ninguém com quem deixar”, conta uma entrevistada de 23 anos da região Centro-Oeste.

Prevenir é investir

Não prevenir também tem um custo alto para o país. A gravidez e a maternidade na adolescência geram perdas econômicas estimadas em R$ 6,2 bilhões por ano no Brasil, o equivalente a 0,06% do PIB, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). A experiência da Plan Brasil mostra que a prevenção dá resultado.

Nas avaliações dos projetos da organização, a proporção de adolescentes aptas a tomar decisões sobre a própria saúde sexual e reprodutiva passou de 33% para 82%, e a parcela de participantes que veem o casamento como uma decisão da vida adulta subiu de 52% para 93%.

Para Cynthia Betti, CEO da Plan Brasil, prevenir a gravidez na infância e na adolescência é uma questão de direitos e também de desenvolvimento.

“Quando uma menina engravida, ela perde a infância, interrompe os estudos e vê suas oportunidades de trabalho encolherem. Mas essa conta não é só dela, ela recai sobre todo o país. Investir no rompimento dos ciclos de violências contra as meninas é fundamental para construir um Brasil socialmente justo e economicamente sustentável. No Dia Internacional da Menina, queremos mobilizar toda a sociedade para garantir que cada menina possa crescer livre, segura e respeitada”, afirma.

Mobilização em diferentes frentes

Como parte das comemorações do Dia Internacional da Menina, o movimento Meninas Ocupam levará adolescentes e jovens mulheres a espaços de liderança e tomada de decisão em todas as localidades onde a Plan Brasil atua. Criada no país em 2016, a iniciativa permite que as participantes apresentem propostas e levem questões de suas escolas, comunidades e rotinas diretamente a lideranças.

Teresina (PI), São Luís (MA) e Codó (MA) recebem o Festival das Meninas nos dias 9, 10 e 15 de outubro, respectivamente, com apresentações culturais, oficinas e rodas de conversa. Os eventos serão realizados com organizações parceiras e contarão com meninas e jovens participantes dos projetos da Plan Brasil.

Em 11 de outubro, a organização também abre as inscrições para a segunda edição do Fundo de Incentivo Acelere o Relógio da Igualdade, que prevê até R$ 600 mil em repasses para projetos liderados por meninas e jovens mulheres, coletivos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Durante todo o mês de outubro, uma campanha digital reforçará a conscientização e a captação de doações para a ONG. No dia 11, a Avenida Paulista, em São Paulo, recebe uma ação presencial para sensibilizar novas pessoas doadoras e divulgar a causa.

Sobre a pesquisa

“Marcas do Tempo” combina uma survey nacional com 1.500 jovens mulheres de 19 a 29 anos, com uso de técnicas de inferência causal (pareamento) para comparar jovens que passaram ou não pela experiência de gravidez na infância ou adolescência, controlando por características prévias, e 50 entrevistas em profundidade. A pesquisa foi realizada pela Akauã Consultoria em Dados, com apoio de organizações parceiras em diferentes regiões do país, e contou com comitê externo de ética de pesquisa da Flacso Brasil.

Sobre a Plan Brasil

Com cerca de 30 anos de atuação no país e presente em mais de 80 países ao redor do mundo, a Plan Brasil está comprometida em romper os ciclos de violências que afetam meninas, criando um futuro justo, seguro e equitativo para todas as pessoas. Com projetos sociais implementados no Maranhão, no Piauí, na Bahia e em São Paulo, e atuando em rede com o terceiro setor e movimentos sociais, a organização alcança todo o território nacional, inspirando e mobilizando a sociedade para transformar realidades, promovendo o protagonismo das meninas e fortalecendo suas vozes para que possam mudar a realidade ao seu redor.

Considerada uma das organizações mais confiáveis do país, a Plan Brasil está entre as 100 Melhores ONGs do Brasil e tem a certificação A+ no Selo Doar de Gestão e Transparência. Em 2024, foi reconhecida pela sexta vez como uma das Melhores ONGs do país, e pelo segundo ano consecutivo como a Melhor ONG do Maranhão. Em 2023, também recebeu pela primeira vez o prêmio de Melhor ONG de Defesa de Direitos. Em 2025, recebeu o Prêmio Direitos Humanos, na categoria “Garantia dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes”, em reconhecimento à sua atuação na defesa dos direitos das meninas.

Para saber mais sobre a Plan Brasil, acesse www.plan.org.br.

Mais informações para a imprensa: Agência Virta – press-plan@grupovirta.com.br Fernanda Arantes – fernanda.arantes@grupovirta.com.br – (11) 99167-8791 Mariana França – mariana.franca@grupovirta.com.br – (11) 95370-5943

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