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IA ganha espaço nos escritórios jurídicos e muda a dinâmica da advocacia

Créditos: Freepik

A inteligência artificial generativa começa a alterar a rotina dos escritórios jurídicos brasileiros em um momento de pressão crescente por produtividade, escala e precisão operacional. O tema ganha relevância porque atinge diretamente o modelo tradicional da advocacia, historicamente baseado em esforço manual e baixa padronização, ao mesmo tempo em que amplia a exigência por estruturas mais eficientes.

Estimativa do banco Goldman Sachs aponta que a tecnologia pode afetar de forma significativa o trabalho jurídico, com potencial de automação sobre parte relevante das atividades da área. No Brasil, o anuário Análise Advocacia 2026 mostra que 47% dos escritórios mais admirados do país já incorporaram inteligência artificial em suas operações internas.

Para Vinícius Marques, CEO da EasyJur, a transformação já deixou de ser uma tendência e passou a ser uma exigência do mercado. Com mais de 16 anos de experiência em tecnologia e oito anos dedicados ao setor jurídico, o executivo avalia que o modelo tradicional da advocacia começa a perder espaço.

“A advocacia vive sua maior ruptura desde a digitalização dos tribunais. O modelo artesanal, baseado em trabalho repetitivo e pouca inteligência operacional, está ficando para trás. O advogado que ganha espaço agora é aquele que sabe interpretar dados, organizar fluxos e usar a tecnologia para entregar mais valor ao cliente”, afirma.

A trajetória do executivo acompanha esse movimento. Em 2019, Marques foi reconhecido como Empreendedor do Ano pela Darwin Startups. Sob sua liderança, a EasyJur tornou-se a primeira legaltech da América Latina a receber investimento do Black Founders Fund, iniciativa do Google for Startups, além de participar do Web Summit Lisboa em 2023.

O avanço da inteligência artificial no Direito ocorre em paralelo à ampliação do uso da tecnologia no ambiente corporativo brasileiro. Pesquisa da Amcham Brasil sobre o Panorama 2026 mostra que 59% das empresas tratam a IA como prioridade em seus planejamentos estratégicos, embora o nível de maturidade e investimento ainda varie entre os setores.

Dados da PwC também indicam que o uso da tecnologia já se tornou parte da rotina profissional no país. No relatório Hopes and Fears 2025, citado na CEO Survey 2026, 26% dos trabalhadores brasileiros afirmam utilizar inteligência artificial generativa diariamente, percentual superior à média global de 14%.

No setor jurídico, o impacto tende a ser mais direto porque a tecnologia atua justamente sobre tarefas operacionais, padronizáveis e intensivas em tempo. Nesse cenário, a discussão deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver também posicionamento profissional e competitividade no mercado.

“A IA não elimina a importância do advogado, mas muda radicalmente onde esse valor é gerado. O profissional deixa de gastar energia com tarefas burocráticas e passa a atuar com mais foco em estratégia, relacionamento com o cliente e tomada de decisão. Quem não reorganizar sua operação para essa nova lógica corre o risco de perder competitividade muito rápido”, diz Marques.

Sobre a EasyJur

A EasyJur é uma legaltech voltada à gestão jurídica, automação e produtividade de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. Fundada por Vinícius Marques a partir de uma experiência pessoal marcada por um erro processual e perda de prazo, a empresa surgiu com a missão de profissionalizar a gestão jurídica no Brasil por meio de tecnologia, centralização de fluxos e uso estratégico de dados.